Entre sonhos adaptação e identificação (2021-2025)

Arquivo
Entre sonhos adaptacao e identificacao (2021-2025).pdf
Documento PDF (479.7KB)
                    Entre sonhos, adaptação
e identificação:
a história da turma XI
Acsa Mickaelly de Souza Santos | Andreina Suellen Santos Lima |
Carlos Eduardo da Costa Carmo | Cicero Victor Soares de Lima |
Claudia Cristina Alves da Fonseca | Deysa Maria de Araujo Silva |
Dhavi Lucas Leao Farias de Oliveira | Fabiana de Cássia de Araújo
Silva (org.) | Fabiana dos Santos Ferreira da Silva | Felipe Alexandrino
da Silva | Giovanna Carvalho Lira Matos | Giovanni Davi Rodrigues
Barbosa | Ira Cesar de Araujo Barbosa | Juliene Maria Gomes da Silva |
Karla Evellyn dos Santos Silva Coimbra | Kaylane Ferreira de Barros |
Ludmyla Vitoria Brito de Souza Lima | Marcus Vinicius da Silva | Maria
Edvania da Silva Santos | Maysa Mayara da Silva | Pedro Lucas
Barbosa da Rocha | Rawmyller Ferreira da Silva | Rayanny Gabriella
Rodrigues dos Santos | Rodrigo Pereyra de Sousa Coelho (org.) | Vitor
da Silva Oliveira

Entre sonhos, adaptação e
identificação:
a história da turma XI
Acsa Mickaelly de Souza Santos | Andreina Suellen Santos Lima | Carlos
Eduardo da Costa Carmo | Cicero Victor Soares de Lima | Claudia Cristina
Alves da Fonseca | Deysa Maria de Araujo Silva | Dhavi Lucas Leao Farias
de Oliveira | Fabiana de Cássia de Araújo Silva (org.) | Fabiana dos Santos
Ferreira da Silva | Felipe Alexandrino da Silva | Giovanna Carvalho Lira
Matos | Giovanni Davi Rodrigues Barbosa | Ira Cesar de Araujo Barbosa |
Juliene Maria Gomes da Silva | Karla Evellyn dos Santos Silva Coimbra |
Kaylane Ferreira de Barros | Ludmyla Vitoria Brito de Souza Lima | Marcus
Vinicius da Silva | Maria Edvania da Silva Santos | Maysa Mayara da Silva |
Pedro Lucas Barbosa da Rocha | Rawmyller Ferreira da Silva | Rayanny
Gabriella Rodrigues dos Santos | Rodrigo Pereyra de Sousa Coelho (org.) |
Vitor da Silva Oliveira

2025

Apresentação

3

O músico John Lennon escreveu em 1980, na música Beautiful Boy (Darling Boy),
que “vida é o que acontece contigo enquanto você está ocupado fazendo outros planos”. Em
2021, a grande maioria dos alunos e alunas que escreveram esse livro começou a concretizar
o plano de se graduar no ensino superior pela Universidade Federal de Alagoas. Naquele ano,
40 novos alunos seguiram esse desejo. Agora, quatro anos e meio depois, 23 seguem tentando
concretizá-lo.
Nas páginas a seguir, vamos acompanhar os perrengues, desafios e avanços dessa
turma. Do susto com o curso de Administração Pública, passando pelo orgulho de estar em
uma universidade federal e pela apreensão pela volta aos estudos depois de um tempo
afastado, tivemos um amplo leque de emoções na chegada ao campus. Depois se seguiram
aulas muito interessantes e outras muito chatas – o que teve mais? Teve aulas on line e
presenciais, houve eventos, projetos e muito estudo e trabalho além da sala de aula. Não
podemos esquecer a reforma do campus, que era para durar dois meses, mas acabou durando
o dobro. Às vezes, a vida universitária parecia “um relógio quebrado, que insiste em marcar
a mesma hora, sem dar sinal de avanço”. Em outras ocasiões, havia “desafios e conquistas
na vida acadêmica e pessoal”.
Porém, esse livro não trata somente disso. Ele traz a vida que insistiu em
continuar enquanto os estudantes corriam atrás de seus planos. Teve a pandemia, claro. Foi
assim que tudo começou. Mas houve também o acirramento das tensões geopolíticas do
mundo com a Guerra da Ucrânia e com a Guerra contra o povo Palestino. A velha crise
climática que vinha nos ameaçando há décadas, parece que começou a colocar as
manguinhas de fora, começando pelo Rio Grande do Sul, mas também alcançando Alagoas
no caótico ano de 2022, bem quando as aulas tinham acabado de voltar. A política brasileira
também seguiu tensa, com as eleições de 2022 sendo decididas por muito pouco e com a
tentativa de golpe que se seguiu à derrota eleitoral do antigo presidente. Até como reflexo,
o cinema nacional volta seus olhos para o período que inspirou esses golpistas e lança um
filme que, com enorme emoção e sucesso, consegue o que nenhum outro filme teve: Ainda
Estou Aqui (2024) ganhou pela primeira vez um Oscar para o Brasil.
Mas no aqui e agora, esse livro marca o fim do nono semestre do curso. Claro que
alguns alunos ainda têm pendências a resolver – de disciplinas que ficaram para trás até o
Trabalho de Conclusão de Curso que precisará ficar para um semestre posterior. Mas, a
maioria encerra aqui esse plano. É hora de partir para novos projeto, para novos planos. Que
esses planos se concretizem com o mesmo sucesso que tivemos neste caso.

Rodrigo Pereyra de Sousa Coelho
Fabiana de Cássia de Araújo Silva
Professores do curso de Administração Pública da UFAL

4

2021
Uma Travessia de Crises e
Esperanças
Felipe Alexandrino da Silva
Ira Cesar de Araújo Barbosa
Juliene Maria Gomes da Silva

5

O ano de 2021 ficou marcado na história contemporânea como um período
de transição, resistência e profundas transformações. Mais do que uma sucessão de
eventos, foi um tempo em que a humanidade continuava se adaptando as novas
formas de viver, enfrentando desafios e repensando suas estruturas sociais e
políticas. A transição se revelou nas mudanças abruptas de rotina, nas tentativas de
retomada e na reinvenção de práticas cotidianas. A resistência se manifestou na luta
pela vida, na persistência diante da dor e na força coletiva para seguir em frente. E
as transformações se impuseram nos campos da educação, da saúde, da economia,
da cultura e da política, redesenhando o modo como nos relacionamos com o mundo.
No cenário mundial, a pandemia de COVID-19 ainda era o centro das
atenções e preocupações. Apesar do avanço da vacinação em diversas regiões, a
sensação de instabilidade e vulnerabilidade coletiva persistia. O surgimento de novas
variantes do vírus, como a Delta, provocava sucessivos alertas sanitários e impactava
diretamente os planos de retomada em todos os setores da sociedade. A crise
sanitária escancarou desigualdades históricas, revelando os abismos sociais em países
ricos e periféricos. Hospitais colapsados, falta de insumos médicos, crises
econômicas prolongadas e instabilidade política afetaram diretamente a qualidade
de vida de milhões de pessoas. Em alguns lugares, como em Manaus, no Brasil, o
drama da escassez de oxigênio e a superlotação dos leitos hospitalares chamou
atenção da mídia internacional e gerou mobilizações de socorro emergencial.
O mundo oscilava entre o medo e a esperança. A vacina, símbolo de
avanço científico e colaboração internacional, tornou-se também objeto de disputas
ideológicas e desigualdade no acesso. Enquanto países desenvolvidos aplicavam
doses de reforço, muitos países em desenvolvimento ainda aguardavam a primeira
remessa de vacinas. Nesse contexto, a pandemia não foi apenas um evento de saúde
pública, mas um fenômeno social que impunha mudanças de paradigmas e novos
modelos de convivência, ensino, trabalho e afeto.
No Brasil, o enfrentamento da pandemia seguiu em ritmo crítico. Altos
índices de contágio e mortalidade se somavam ao desgaste emocional, econômico e
político. O noticiário era marcado por imagens de sofrimento, luto e denúncias de
má gestão pública. As incertezas quanto ao controle da pandemia impactavam
diretamente o cotidiano das pessoas, seja na organização das políticas públicas, na
manutenção do trabalho ou na reestruturação do ensino. A vacinação, iniciada de
forma desigual e marcada por atrasos, gerava sentimentos ambíguos: esperança de
retomar a rotina e medo das novas ondas de contágio. Muitos trabalhadores,
especialmente os da administração pública, enfrentavam uma rotina desgastante,
lidando com o trabalho presencial enquanto grande parte da população estava em
trabalho remoto. Essa condição gerou exposição prolongada ao risco de
contaminação, somada à pressão psicológica de manter a produtividade e o bem6

estar em um cenário adverso.
Logo nos primeiros meses, o Brasil enfrentou uma realidade devastadora.
Hospitais lotados, filas por leitos de UTI e famílias dilaceradas pela perda de entes
queridos tornaram-se imagens recorrentes. A segunda onda da pandemia revelou a
fragilidade estrutural do sistema de saúde, com cenas dramáticas como a crise de
oxigênio em Manaus, quando pacientes morreram asfixiados diante da escassez do
insumo. As estatísticas de mortes, que cresciam de forma vertiginosa, não eram
apenas números: representavam histórias interrompidas, lares quebrados e um luto
coletivo que atravessava todas as classes sociais, embora pesasse mais fortemente
sobre os mais pobres. Esse cenário gerou um silêncio simbólico nas cidades, mesmo
quando as ruas permaneciam movimentadas. Era como se o cotidiano tivesse perdido
parte de sua cor, substituída pela sombra da incerteza.
No meio desse contexto sombrio, a vacinação despontou como símbolo
coletivo de esperança. O simples gesto de estender o braço e receber uma dose de
imunizante deixou de ser apenas um ato médico e passou a representar um pacto
social em defesa da vida. Contudo, o processo não se deu sem percalços. O Brasil
enfrentou um início lento, envolto em disputas
políticas, atrasos na compra de vacinas e desconfiança disseminada por
discursos negacionistas. A ansiedade da população aumentava a cada semana em que
o cronograma parecia insuficiente. Apesar disso, com a chegada gradual das doses,
o país assistiu a cenas emblemáticas: filas longas e ordeiras, compostas por pessoas
de diferentes idades, ansiosas por garantir sua proteção. Cada seringa aplicada era
carregada de significados: a lembrança de abraços interrompidos, a memória dos que
não resistiram e a promessa de reencontros futuros.
Enquanto a saúde pública travava batalhas diárias contra o vírus, a esfera
política se tornava palco de disputas intensas. A Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) da pandemia, realizada no Senado Federal, assumiu um caráter quase teatral,
transmitida ao vivo e acompanhada com grande interesse pela população. Mais do
que uma investigação sobre omissões e irregularidades na condução da crise, a CPI
expôs as fraturas profundas da sociedade brasileira. O país estava polarizado,
dividido entre narrativas antagônicas sobre responsabilidades e versões da realidade.
As sessões eram marcadas por depoimentos tensos, contradições, denúncias de
corrupção na compra de vacinas e acusações de negligência.
A comissão tornou-se símbolo de um Brasil que buscava respostas, mas
também de um país imerso em disputas políticas acirradas, onde a dor coletiva era,
muitas vezes, instrumentalizada em embates ideológicos. Paralelamente à pandemia
e às tensões políticas, o Brasil enfrentava uma grave crise econômica. O desemprego
7

manteve-se em níveis alarmantes, corroendo a dignidade de milhões de famílias. A
inflação avançava silenciosamente, afetando de forma direta o cotidiano: o preço do
arroz e do feijão subia, a carne tornava-se artigo de luxo e os combustíveis
aumentavam de forma constante. Cada ida ao supermercado se transformava em um
exercício de cálculo e renúncia. As famílias precisavam redefinir prioridades,
reduzindo o consumo de itens básicos. O aumento da conta de luz, provocado pela
crise hídrica e pela dependência das usinas termelétricas, foi outro símbolo da
vulnerabilidade do país. A energia, tão fundamental para a vida moderna, tornou-se
um peso adicional em orçamentos já fragilizados.
Nesse contexto, a desigualdade social – traço histórico do Brasil – se
intensificou. Enquanto alguns conseguiam manter o trabalho em regime remoto,
milhões enfrentavam a precarização ou a completa ausência de renda. O Brasil em
2021 não esteve isolado. O planeta inteiro compartilhava dilemas semelhantes, ainda
que em intensidades distintas. A COP 26, realizada em Glasgow, chamou a atenção
para a urgência da luta contra as mudanças climáticas. O Brasil, dono da maior parte
da floresta amazônica, esteve no centro das discussões. As críticas ao avanço do
desmatamento colocaram o país em uma posição delicada diante da comunidade
internacional. A Amazônia, patrimônio natural da humanidade, tornava-se palco de
debates diplomáticos, de disputas por narrativas e de cobranças severas por parte
de outros países. Nesse cenário, a imagem brasileira sofreu desgastes significativos,
impactando sua credibilidade global.
No campo geopolítico, o ano também foi marcado por acontecimentos de
grande repercussão. A retirada das tropas americanas do Afeganistão, após vinte
anos de ocupação, revelou a fragilidade do sistema internacional diante de
territórios complexos e marcados por conflitos. As imagens de civis desesperados
tentando embarcar em aviões militares correram o mundo, simbolizando não apenas
o colapso local, mas também a limitação do poder das grandes potências diante de
realidades profundamente enraizadas.
O impacto psicológico foi significativo. O cansaço mental, a sobrecarga de
responsabilidades e a ausência de espaços de lazer e sociabilidade afetaram a saúde
emocional de grande parte da população. Muitos relataram dificuldade de
concentração, insônia, crises de ansiedade e sensação de impotência. No entanto,
ao mesmo tempo em que havia dor, também emergiam narrativas de resistência,
reinvenção e aprendizado diante das adversidades. No contexto nacional, essa
travessia assumiu contornos ainda mais intensos. Como em um grande palco, dramas
coletivos e individuais se entrelaçaram em uma narrativa marcada pela dor, mas
também pela capacidade de reinvenção. Foi um período em que a esperança e o
medo se confrontaram diariamente, e em que a ciência, a política e a solidariedade
se tornaram pilares de resistência em meio ao caos.
8

Um dos maiores desafios foi a manutenção da educação em meio ao
isolamento social. Com as instituições de ensino atuando através do ensino remoto
emergencial, estudantes e professores precisaram reinventar a dinâmica pedagógica
em tempo recorde. As dificuldades eram múltiplas: acesso precário à internet, falta
de equipamentos adequados, ausência de interação direta com colegas e docentes,
além do acúmulo de tarefas e responsabilidades paralelas. O ensino remoto, a partir
da percepção dos estudantes, teve suas controvérsias. Houve casos de abandono
temporário do curso, dificuldade de adaptação aos novos horários e formatos de aula,
desmotivação com a ausência de interação e impossibilidade de conciliar os
compromissos profissionais com a rotina acadêmica. Além disso, a impossibilidade
de participar presencialmente da vida universitária gerou frustrações, pois o início
da graduação, geralmente repleto de ritos, encontros e trocas, passou a ser vivido
por meio de telas, câmeras desligadas e silêncios prolongados.
Ainda assim, diante do cenário hostil, muitos encontraram formas
alternativas de continuar seus percursos. A flexibilidade do ensino remoto permitiu
a alguns o envio de atividades em horários alternativos, facilitando a permanência
no curso. Outros enxergaram na educação à distância uma possibilidade de recomeço
e adaptação, mesmo com todos os percalços. E meio ao caos, surgiram redes de apoio
entre estudantes veteranos e calouros, estratégias de acolhimento e incentivo que
fizeram a diferença para muitos que pensavam em desistir. O ingresso dos estudantes
no ensino superior, especialmente na universidade pública federal, foi um marco.
Muitos desses ingressantes carregavam histórias de mudanças de rota, pausa nos
estudos e recomeços. A escolha do curso, para muitos, não foi fruto de um sonho,
mas de uma necessidade prática e racional. As limitações econômicas, as condições
geográficas e a necessidade de permanecer trabalhando fizeram com que alguns
optassem por cursos ofertados em horário noturno.
Em diversos relatos, destaca-se a importância da UFAL como símbolo de
conquista pessoal e familiar. Mesmo quando o curso escolhido não era o “plano A”,
a possibilidade de ingressar em uma universidade pública representava a
concretização de um sonho. A emoção de ser chamado para a graduação, mesmo que
por meio de uma simples mensagem de um veterano, tornou-se um marco na
trajetória de muitos. A acolhida fez a diferença. E, mesmo com as dificuldades do
ensino remoto, o pertencimento à universidade foi se consolidando aos poucos. A
convivência com as disciplinas iniciais, com professores engajados e metodologias
inovadoras, também contribuiu para despertar nos estudantes o interesse pelo curso
e ampliar a compreensão sobre o papel da Administração Pública na sociedade. Em
meio a números, gráficos, teorias sociais e debates políticos, os estudantes foram
moldando sua identidade acadêmica e compreendendo que, mesmo começando em
meio ao caos, estavam construindo algo maior: sua formação como cidadãos críticos
9

e atuantes.
Apesar de tanto peso, a humanidade insistia em abrir espaços para a
beleza e para a resistência simbólica. Os Jogos Olímpicos de Tóquio, adiados em
2020, foram realizados em 2021 sob rígidos protocolos de segurança. Sem público
nas arquibancadas, mas transmitidos ao mundo inteiro, os jogos mostraram que o
espírito humano não se rende. Cada prova, cada medalha, cada gesto de superação
dos atletas carregava um significado que ultrapassava o esporte: era uma afirmação
de vida diante da morte, de resistência diante do caos. Para o Brasil, os resultados
olímpicos também trouxeram orgulho e inspiração, em meio a tantas notícias duras.
No campo cultural, ainda que timidamente, a retomada de shows, peças
de teatro e exposições artísticas trouxe alento. Famílias puderam se reencontrar,
artistas voltaram aos palcos e espaços públicos redescobriram sua vocação de
convivência. A máscara, ainda presente, não escondia os sorrisos estampados nos
olhos das pessoas. Cada pequeno gesto de normalidade ganhava peso simbólico
imenso.
O ano consolidou-se, assim, como um ano de limiares e transição. Não
representou a vitória definitiva sobre a pandemia, tampouco a plena recuperação
econômica ou a reconciliação política. Foi, antes, um tempo de aprendizado, em que
a humanidade percebeu que a vida não volta exatamente ao que era, mas se
reinventa em novos moldes. O Brasil, em particular, mostrou sua capacidade de
resiliência, mas também revelou as profundas cicatrizes de suas desigualdades
históricas. O ano expôs tanto a vulnerabilidade quanto a força do povo brasileiro:
vulnerável diante das crises, mas forte ao se reinventar diariamente.
As marcas de 2021, assim como de 2020 (quando se iniciou a pandemia),
permanecem como ecos que moldaram os anos seguintes, servindo de alerta e, ao
mesmo tempo, de inspiração. Foi um ano em que a história deixou de ser apenas
uma narrativa nos livros e passou a ser uma experiência vívida, compartilhada por
todos. Para muitos, 2021 foi um ponto de virada. Um ano em que planos precisaram
ser refeitos, sonhos adiados foram retomados e o impossível se tornou possível, ainda
que de forma inesperada. O ensino remoto, o trabalho presencial, os cuidados com
a saúde, as perdas e conquistas se entrelaçaram para compor um retrato complexo
e profundamente humano do que foi viver nesse tempo.
Assim, ao olhar para o ano de 2021, não se pode apenas contabilizar dores
e dificuldades. É necessário reconhecer a coragem de quem persistiu, a resiliência
de quem se adaptou e a esperança de quem seguiu acreditando. Mais do que um ano
de pandemia, foi um ano de resistência e reconstrução. E para muitos, foi o início
de uma nova história – o ingresso na graduação. Mais do que um ano de sobrevivência,
10

foi um ano de recomeços. Um tempo em que o mundo aprendeu, de forma coletiva
e dolorosa, que o futuro não é algo dado, mas algo construído – passo a passo, entre
quedas e reerguimentos, entre perdas e descobertas. Essa talvez seja sua maior
lição: o reconhecimento de que, mesmo diante da dor, a humanidade tem a
capacidade de resistir e de se reinventar. O Brasil, com todas as suas contradições,
escreveu em 2021 um capítulo de sua história que não será esquecido: o capítulo da
luta pela vida, da disputa de narrativas e da teimosa insistência em sonhar com dias
melhores.

11

2021
Da Pausa à Persistência:
Superação dos
Ingressantes de 2021
Carlos Eduardo da Costa Carmo
Cicero Victor Soares de Lima
Dhavi Lucas Leão Farias de Oliveira
Pedro Lucas Barbosa da Rocha

12

O ano de 2021 representou um período de recomeço na trajetória de
diversos estudantes que iniciaram sua jornada acadêmica no curso de Administração
Pública da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Mais do que um marco, esse
período reflete processos de adaptação, reinvenção de expectativas e desafios
impostos pela pandemia, que transformaram a experiência universitária em um
espaço de reflexão, resiliência e reconstrução de rotinas e projetos de vida.
Embora cada caminho tenha suas singularidades, existem elementos
comuns nos relatos dos ingressantes. Muitos vinham de um encerramento recente do
ensino médio, vivido de forma atípica devido à pandemia: sem celebrações. Como se
o ciclo não tivesse realmente terminado. Para esses estudantes, a UFAL representava
um passo imediato, uma continuidade da vida escolar que, em circunstâncias
normais, teria sido marcada por ritos de passagem importantes: colação de grau,
celebrações e despedidas. No entanto, a pandemia roubou esses momentos. Muitos
relataram que sentiram como se o ensino médio tivesse ficado inacabado, e a entrada
no curso superior ocorreu de forma silenciosa, quase sem perceberem que um ciclo
havia terminado e outro estava começando.
Essa transição direta trouxe sentimentos ambíguos. De um lado, havia
entusiasmo pela conquista de uma vaga em uma universidade pública, orgulho por
serem, em muitos casos, os primeiros da família a alcançar esse feito e a sensação
de não terem “perdido o ritmo” dos estudos. De outro, havia insegurança e
frustração: a experiência universitária, tão idealizada ao longo da juventude, surgiu
de forma remota, limitada a telas, ícones e câmeras desligadas. Em vez de
corredores cheios, novos amigos e debates presenciais, o que predominava era o
silêncio das aulas online, a dificuldade de interação com professores e colegas, e
uma sensação constante de isolamento.
O ingresso direto após o ensino médio, portanto, não representou apenas
a continuidade linear dos estudos, mas também um mergulho precoce em um
ambiente exigente e desconhecido, que demandava maturidade, autonomia e
resiliência em meio ao caos da pandemia.
Se, por um lado, havia os que seguiram sem interrupções, lidando com a
transição imediata da escola para a universidade, por outro lado havia também
aqueles que carregavam uma incógnita ainda maior: os que se afastaram dos estudos
por alguns anos, tentando equilibrar trabalho, responsabilidades familiares ou
lidando com frustrações de tentativas anteriores.
Para muitos desses jovens, a decisão foi interromper a trajetória
educacional logo após o ensino médio, seja por vontade própria ou por necessidade.
13

Esse afastamento, longe de ser apenas um intervalo, transformou-se em um tempo
de silêncio fértil, no qual dúvidas ganharam espaço, sonhos amadureceram e novas
rotas começaram a ser desenhadas. Esse tempo, que alguns chamam de “ano
sabático”, não foi necessariamente preenchido por viagens ou atividades
programadas, como sugere a ideia clássica do termo. Na maioria dos relatos, ele
esteve marcado por reflexão, trabalho, responsabilidades familiares ou
simplesmente exaustão mental após anos de ensino básico, muitas vezes em
contextos de pressão e falta de recursos. O cansaço acumulado pelos desafios do
ensino médio, ainda mais quando este foi finalizado em meio à pandemia,
impulsionou a decisão de pausar.
Maria Edvania é um exemplo disso. Ao concluir o ensino médio, decidiu
que não faria o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) naquele ano. Queria apenas
descansar. À primeira vista, a decisão parecia sensata: dar um tempo a si mesma
após tantos anos dedicados aos estudos. Porém, como ela mesma relata, a pausa
teve um preço: perder o ritmo, desorganizar a rotina e lidar com a ansiedade de ver
o tempo passar enquanto outras pessoas “avançavam”. Ainda assim, essa mesma
pausa permitiu que ela voltasse com mais clareza de seus limites e propósitos.
Juliene também tirou um tempo para refletir antes de retomar os estudos. Nesse
intervalo, viveu experiências profissionais e pessoais que ressignificaram sua visão
sobre o futuro. Inicialmente voltada à Psicologia, acabou optando por Administração
Pública, um curso que, à primeira vista, não era o desejado, mas que se revelou
compatível com sua realidade prática e suas aspirações profissionais. Esses relatos
revelam que o tempo fora da escola não é necessariamente um tempo perdido. Pelo
contrário: é, muitas vezes, um momento de reorientação interna. Há uma força em
parar, observar e só então continuar, força essa frequentemente subestimada por
uma cultura que valoriza apenas o avanço linear e contínuo.
Assim, o tempo sabático vivido por alguns calouros da UFAL em 2021 não
foi uma pausa na vida, mas um capítulo silencioso e fértil. Foi nesse intervalo, muitas
vezes marcado por incertezas, que surgiram novos desejos, que o medo do vestibular
se transformou em coragem de tentar outra vez, e que o sonho do ensino superior
passou a ser encarado não apenas como uma meta acadêmica, mas como uma decisão
de responsabilidade e autoconhecimento.
Tanto para os que ingressaram diretamente quanto para os que fizeram
pausas, o momento da escolha do curso apareceu, muitas vezes, mais como
consequência das circunstâncias do que de um planejamento vocacional. Nesse
sentido, a opção por Administração Pública raramente foi fruto de um projeto
claramente definido. Em boa parte dos casos, tratou-se de uma decisão prática,
influenciada por fatores como oferta de vagas, localidade acessível e horário noturno
que possibilitava a conciliação com o trabalho.
14

Diversos relatos revelam que a escolha pelo curso noturno não foi uma
preferência, mas uma possibilidade viável e, em alguns casos, a única. Estudar à
noite permitia que o restante do dia fosse dedicado ao trabalho, muitas vezes
informal ou em condições de vulnerabilidade. Foi o caso de estudantes como
Giovanni e Rawmyller, que precisavam ajustar os estudos às demandas profissionais.
O tempo para realizar as atividades acadêmicas era comprimido aos fins de semana,
às madrugadas ou aos raros momentos de folga. O ensino remoto, ao mesmo tempo
em que ofereceu uma saída para manter os estudos em meio à pandemia, revelouse também uma armadilha para quem precisava conciliar múltiplas tarefas. A
ausência de fronteiras físicas entre casa, trabalho e universidade fez com que tudo
se misturasse.
Alguns estudantes admitiram, inclusive, que não sabiam do que realmente
se tratava o curso quando optaram por ele. Houve quem tivesse o objetivo inicial de
cursar outras áreas como Psicologia, Direito, Medicina Veterinária, Ciências
Contábeis ou Engenharia, mas, por motivos financeiros, logísticos ou pelas notas de
corte, acabaram recalculando a rota. Contudo, o que poderia ser apenas um “plano
B” acabou se revelando um terreno fértil de descobertas. Conforme o curso se
desenrolava, mesmo que à distância, os estudantes começaram a ressignificar sua
escolha. Ao entrarem em contato com disciplinas, muitos perceberam que estavam,
afinal, diante de uma formação que dialogava com seu desejo de transformação
social, de estabilidade profissional ou de valorização do serviço público.
Para outros, a motivação era mais simbólica: a conquista de uma vaga na
universidade representava um marco. Ser o primeiro da família a entrar numa
universidade pública carregava um peso emocional imenso. Não era apenas sobre si,
era também sobre os pais que não puderam estudar, sobre os irmãos mais novos que
agora tinham uma nova referência.
Ainda assim, essa transição não foi isenta de conflitos. Muitos estudantes
sentiram-se deslocados nas primeiras semanas, questionaram se haviam feito a
escolha certa, sentiam-se mal por não entenderem o conteúdo logo de início, ou
simplesmente pensaram em desistir frente ao cansaço e os percalços do ensino
remoto. Mas, curiosamente, foram essas próprias adversidades que os fortaleceram.
A permanência no curso, mesmo em meio às incertezas e limitações, passou a
representar um ato de resistência, de fidelidade a um projeto de vida que ainda
estava sendo desenhado.
Ao fim do ano, boa parte desses estudantes não só se reconhecia como
parte da universidade, mas já construía laços com a Administração Pública como área
de atuação, percebendo nela um campo plural, com possibilidades que iam desde a
gestão de políticas públicas até a atuação técnica em órgãos governamentais. O que
15

começou como um plano improvisado, uma escolha “porque era o que dava”,
transformou-se, para muitos, em um novo horizonte de sentido.
Enquanto as escolhas iam sendo ressignificadas, outro elemento
atravessava todas as trajetórias: a pandemia de COVID-19. Ela impôs ao mundo
acadêmico uma mudança brusca e sem precedentes: a transição repentina para o
ensino remoto. As aulas não aconteciam em salas com carteiras enfileiradas, quadros
brancos e agitação de corredores. Elas se desenrolavam por meio de plataformas
digitais como Google Meet, AVA, SIGAA e até WhatsApp. Mas, ao invés de interação
e debate, o que predominava era o silêncio. Microfones desligados, câmeras ausentes
e uma tela tomada por ícones ou nomes impessoais.
Essa ausência de vozes e rostos criou uma experiência marcada por
distanciamento emocional e sensação de não pertencimento. Muitos estudantes
relatam que demoraram a se sentir, de fato, parte da universidade. A ausência de
vínculos os fazia questionar sua permanência. Era como se estivessem apenas
cumprindo tarefas, entregando atividades, mas sem conseguir enxergar o significado
mais amplo da vida universitária.
Alguns professores, por sua vez, também enfrentavam dificuldades. Não
era raro ver docentes desanimados com a falta de retorno dos alunos, ou
despreparados para lidar com a tecnologia. Além disso, a transição repentina para
plataformas online não veio acompanhada de treinamentos estruturados, e em vários
momentos, a didática tradicional precisou ser recriada às pressas.
No entanto, mesmo em meio a esse cenário desafiador, alguns docentes
conseguiram se destacar positivamente, criando um ambiente mais acessível e
acolhedor. O professor Rodolfo, que lecionava Raciocínio Lógico, foi frequentemente
citado por sua didática clara e pela estratégia de combinar vídeos explicativos com
atividades prévias, criando um espaço em que os estudantes se sentiam estimulados
a participar, mesmo que virtualmente. Já o professor Marconi, da disciplina
Sociedade e Cultura, foi lembrado por trazer um olhar crítico e sensível sobre temas
sociais, oferecendo um conteúdo que transcendia a técnica e tocava questões reais
do cotidiano dos alunos. Num ambiente em que era fácil se perder, os docentes que
se mostraram presentes se tornaram pontos de referência e até de afeto.
A experiência dos estudantes de 2021 evidenciou, de maneira muito clara,
as desigualdades digitais no Brasil. Se, para alguns estudantes, a adaptação ao ensino
remoto foi apenas uma questão de ajustar horários e descobrir novas ferramentas,
para outros a barreira era bem mais concreta: a falta de internet de qualidade, a
inexistência de equipamentos adequados ou até mesmo a ausência de um espaço
silencioso para estudar em casa. Relatos de alunos que dividiam um único celular
16

entre irmãos ou que precisavam acompanhar aulas utilizando dados móveis são
exemplos reais dessa disparidade. A chamada "inclusão digital", nesse contexto, não
era um termo abstrato, mas uma necessidade urgente e não atendida de maneira
suficiente.
Mas as dificuldades não pararam aí. Para além do distanciamento
emocional causado pelas aulas virtuais, muitos estudantes ainda precisavam
enfrentar o desafio cotidiano de conciliar trabalho, família e universidade. Muitos
relataram a sensação de sufocamento diante do volume de tarefas, prazos e provas,
especialmente quando o curso tentava manter o ritmo e carga de um semestre
presencial. Sem o deslocamento até a sala de aula, esperava-se que o aluno estivesse
sempre disponível, sempre conectado, sempre pronto. No entanto, para quem dividia
o tempo entre o sustento da casa, o cuidado com filhos, a lida doméstica e as
pressões emocionais da pandemia, estar “presente” em aula significava mais do que
abrir uma aba no navegador. Era, muitas vezes, um ato de resistência.
Houve, também, quem decidisse fazer o caminho oposto: abrir mão do
emprego para tentar se dedicar integralmente aos estudos, mesmo sem garantias de
estabilidade. A escolha foi difícil, cheia de incertezas financeiras, mas feita com a
convicção de que investir no estudo era investir num futuro mais digno — não apenas
para si, mas para toda a família.
A conciliação entre trabalho e estudo é, portanto, mais do que uma
questão de tempo: é uma questão de resistência social, de permanência e de classe.
Cada disciplina superada não é apenas um passo no currículo: é uma vitória silenciosa
sobre um sistema que, muitas vezes, não foi feito para acolher quem precisa se
dividir para existir.
Nesse cenário, permanecer no curso — mesmo à distância, mesmo
cansado, mesmo sem câmera ou com conexão instável — tornou-se, por si só, um
gesto de resistência e conquista.
Os estudantes relataram que, ao longo dos meses, foram desenvolvendo
habilidades que não estavam nos planos de ensino, mas que se tornaram essenciais
para sobreviver e crescer dentro da nova realidade: autonomia, resiliência e
capacidade de organização. Aprenderam a lidar com múltiplos prazos, a filtrar o que
era realmente importante entre tantas demandas, a buscar por conta própria os
materiais que não eram bem explicados em aula e, principalmente, a não desistir
diante da frustração.
Essa autonomia, contudo, não foi fruto de um processo espontâneo ou
confortável. Ela nasceu muitas vezes do abandono: quando o professor não explicava,
quando o colega não respondia, quando a aula parecia mais uma transmissão do que
17

um espaço de troca. Foi nesse vácuo que muitos estudantes aprenderam a ser seus
próprios tutores, sua própria motivação.
Manter boas notas, acompanhar as disciplinas, entender textos
acadêmicos, mesmo diante da precariedade de recursos, foram vitórias que não
cabem apenas nos boletins. Muitos alunos enfrentaram, simultaneamente, a falta de
estrutura e o esgotamento mental. E mesmo assim permaneceram. Essa permanência
não deve ser vista apenas como cumprimento de uma obrigação acadêmica, mas
como uma demonstração de coragem diante de um cenário que parecia
constantemente desfavorável.
Outro ponto essencial diz respeito à permanência estudantil. A UFAL,
assim como outras universidades públicas, buscou oferecer auxílios financeiros,
bolsas e programas de inclusão digital. No entanto, a demanda era sempre maior que
os recursos disponíveis. Para muitos, a bolsa de R$ 400 ou o auxílio tecnológico foram
fundamentais para evitar a evasão. Esse suporte financeiro não representava apenas
dinheiro, mas dignidade e a possibilidade real de continuar estudando.
As histórias dos estudantes deixam claro que a permanência na
universidade é, muitas vezes, um ato coletivo. Pais, irmãos, amigos e até vizinhos
participaram desse processo, oferecendo apoio moral, dividindo equipamentos ou
assumindo responsabilidades domésticas para que o estudante pudesse assistir às
aulas. Dessa forma, o ingresso e a permanência no ensino superior se mostraram um
esforço compartilhado, que ultrapassa os limites individuais.
O ano de 2021 não foi apenas um marco inicial para a turma de
Administração Pública, mas também um espelho das desigualdades sociais e, ao
mesmo tempo, da força de resistência dos estudantes. O aprendizado daquele ano
não se limitou os conteúdos de sala de aula. Ele se traduz em valores como
resiliência, solidariedade, senso crítico e, principalmente, esperança. Hoje, ao olhar
para trás, é possível perceber que esse período formou não apenas futuros
profissionais da Administração Pública, mas cidadãos mais conscientes de seu papel
na transformação social.
Este artigo é, em essência, um testemunho de superação coletiva. Ele nos
lembra que a universidade é muito mais do que um espaço de transmissão de
conhecimento: é um lugar de luta, de resistência e de sonhos que insistem em
florescer, mesmo nos solos mais áridos. Cada trajetória narrada carrega em si não
apenas a busca individual pelo saber, mas também a força de um coletivo que,
mesmo diante das adversidades impostas pela pandemia, pela falta de recursos e
pelas incertezas do futuro, encontrou meios de permanecer. A Universidade, nesse
sentido, revelou-se não apenas como instituição acadêmica, mas como um espaço
18

simbólico de esperança, em que cada aluno representa a possibilidade de
transformar não apenas a si mesmo, mas também a realidade social que o cerca.

19

2022
Conflitos, Clima e
Tecnologia: Um Retrato
de um Mundo em
Transição
Acsa Mickaelly de Souza Santos
Cláudia Cristina Alves da Fonseca
Rawmyller Ferreira da Silva
Vitor da Silva Oliveira

20

O ano de 2022 se firmou como um ponto de mudança na história
recente, marcado por uma confluência de crises que se entrelaçam e redefinem
a dinâmica global. Enquanto o mundo ainda se recuperava da pandemia de
COVID-19, uma série de eventos geopolíticos, econômicos e ambientais
desencadeou uma nova era de turbulência. O Brasil, nesse cenário, não foi um
mero espectador, mas sim um microcosmo onde as tensões globais se
manifestaram de forma intensa, moldando um ano de profunda polarização
política, tragédias climáticas e desafios sociais.
Dentre os principais eventos globais que moldaram este cenário,
destacam-se: A invasão da Ucrânia e suas consequências; As crises climáticas;
O Cenário Político no Brasil; A Dinâmica Econômica e Social; A saúde pública
em transição; A retomada da Cultura e do Esporte e a Tecnologia e o Legado de
2022.

A invasão da Ucrânia e suas Consequências
O principal evento de 2022 foi o retorno da guerra de larga escala à
Europa, com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro. Este conflito,
o maior no continente em décadas, teve impactos sociais, políticos e
econômicos que reverberaram por todo o globo. A comunidade internacional,
liderada por nações ocidentais, respondeu com sanções econômicas severas
contra a Rússia, que, por sua vez, viu sua inflação anual atingir o maior nível
desde 2002.
A guerra catalisou uma crise energética sem precedentes na Europa,
um continente altamente dependente do gás russo. A interrupção do
fornecimento levou a um aumento acentuado nos preços de combustíveis fósseis
e da eletricidade, forçando governos a adotarem medidas emergenciais para
mitigar os impactos em cidadãos e empresas. Essa crise também acelerou a
busca por fontes de energia alternativas, impulsionando a transição para
energias renováveis, como a energia solar.
Além da crise energética, o conflito teve um impacto direto na
segurança alimentar global. Com a Ucrânia sendo um dos maiores exportadores
de grãos, a interrupção da produção e exportação de trigo e milho fez com que
os preços das commodities disparassem para os níveis mais altos desde 2008,
contribuindo para a insegurança alimentar em várias partes do mundo.
21

Crises Climáticas
Paralelamente ao conflito geopolítico, o ano de 2022 marcou o
momento em que os efeitos das mudanças climáticas se tornaram inegáveis e
letais. O Brasil e o mundo enfrentaram eventos climáticos extremos com um
alto custo humano e econômico.
Globalmente, as inundações no Paquistão foram descritas como as
piores da história do país, submergindo um terço do território e afetando a vida
de cerca de 33 milhões de pessoas, com perdas econômicas estimadas em até
US$ 30 bilhões. Na Europa, uma onda de calor extremo resultou em uma
estimativa de 70 mil mortes em todo o continente, impactando a saúde
humana, a agricultura e a infraestrutura.
No Brasil, o ano foi o mais letal da última década para desastres
relacionados a chuvas, com 457 mortes registradas apenas nos primeiros cinco
meses. A tragédia de Petrópolis (RJ) foi o maior desastre da história da cidade,
com mais de 230 mortos e milhares de desabrigados. As chuvas também
causaram inundações e deslizamentos no Sul da Bahia e em Pernambuco, com
dezenas de mortos e milhares de desabrigados.
Em Alagoas, as chuvas de 2022 tiveram um impacto devastador, com
o governo do estado decretando situação de emergência em 56 municípios. O
quadro foi de uma crise humanitária significativa, com mais de 56 mil pessoas
ficando desabrigadas ou desalojadas, e seis mortes sendo registradas em
diversas localidades, incluindo Palmeira dos Índios e São Miguel dos Campos. O
temporal causou o transbordamento dos rios Paraíba e Mundaú, que elevaram
seus níveis em até dois metros em alguns pontos, levando à interdição de
importantes rodovias como a BR-104 e a BR-101.
O impacto das chuvas em algumas das principais cidades do estado
foi particularmente severo. Na capital, Maceió, a Defesa Civil atendeu a mais
de 3.500 ocorrências ao longo do ano, com um pico de 657 registros somente
em maio. Em julho, uma enchente causada pelo transbordamento da Lagoa
Mundaú resultou em 2.608 ligações de emergência.
No interior, a cidade de Palmeira dos Índios registrou um óbito e
enfrentou a ruptura de uma ponte na Aldeia Fazenda Canto, que colocou cerca
de 70 famílias indígenas em risco de ficarem ilhadas. Em novembro, a cidade
foi atingida por mais um temporal, com um volume de mais de 100 mm de chuva
em menos de duas horas. Em Arapiraca, mais de 20 famílias ficaram
22

desabrigadas nos bairros Brasiliana e Olho d'Água dos Cazuzinhas, o que levou a
prefeitura a cancelar os festejos juninos para direcionar os esforços de
assistência à população afetada.
Outras cidades também sofreram com os efeitos das chuvas.
Coruripe, por exemplo, teve o maior número de desabrigados e desalojados em
Alagoas, com 3.836 pessoas em junho, seguido por São Miguel dos Campos
(2.906) e Penedo (1.982), que também tiveram um grande número de
moradores que precisaram deixar suas casas.

O Cenário Político no Brasil
No Brasil, o ano foi amplamente definido por um "clima de
polarização acirrada" que se manifestou de forma intensa em todos os âmbitos
da vida nacional. O evento mais marcante foi a eleição presidencial, que se
tornou a mais acirrada da história do país. A disputa entre Luiz Inácio Lula da
Silva e o então presidente Jair Bolsonaro foi decidida no segundo turno, com
Lula sendo eleito com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% de Bolsonaro. A
margem de vitória foi de pouco mais de 2 milhões de votos, um resultado sem
precedentes. A votação revelou uma profunda divisão regional, com Lula
vencendo em todos os estados do Nordeste, enquanto Bolsonaro dominou as
regiões Sul e Centro- Oeste.
A intensidade do pleito foi precedida por um período de forte
questionamento ao sistema eleitoral. Em resposta a esse clima de incerteza,
um movimento em defesa das instituições democráticas ganhou força. A "Carta
às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito",
elaborada pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), foi
um dos seus símbolos mais significativos. Inspirada em um manifesto de 1977,
durante a ditadura militar, a nova carta rapidamente reuniu um apoio massivo
e multifacetado, com mais de 1 milhão de assinaturas. O documento foi lido em
um ato público no dia 11 de agosto, em um gesto de reafirmação do respeito à
soberania do voto.
A eleição serviu como um catalisador que expôs as fissuras na
sociedade e no sistema político. O resultado apertado e a divisão regional foram
a materialização de uma polarização que se aprofundou por anos, e sua
consequência imediata foi a eclosão de protestos pós-eleitorais. Imediatamente
após a confirmação da vitória de Lula, caminhoneiros e manifestantes
bolsonaristas bloquearam rodovias em 25 estados e no Distrito Federal.
Manifestantes também acamparam em frente a quartéis das Forças Armadas,
23

em cidades como São Paulo e Brasília, pedindo "intervenção federal" ou
"intervenção militar". O clamor por um golpe de Estado nas redes sociais do
Exército aumentou o número de seguidores de forma exponencial, o que, por
sua vez, levou a Força a implementar uma política de moderação de conteúdo
em suas plataformas digitais. A Polícia Federal investigou os atos por supostos
financiamentos por empresários.

A Dinâmica Econômica e Social
A economia brasileira em 2022 apresentou um desempenho
surpreendentemente positivo, em contraste com a turbulência política. O
Produto Interno Bruto (PIB) acumulou uma alta de 2,9% no ano, mantendo o
ritmo observado no ano anterior. A economia foi impulsionada pelo forte
desempenho do setor de serviços. A inflação (IPCA) também deu sinais de
desaceleração, caindo para 6,3% em setembro, em grande parte devido à queda
de impostos sobre combustíveis e energia.
No entanto, a recuperação macroeconômica não foi inclusiva e
coexistiu com uma realidade social alarmante. O crescimento do PIB,
impulsionado por estímulos fiscais e programas de auxílio de curto prazo como
a "PEC dos Benefícios", não foi suficiente para reverter a insegurança alimentar,
um problema agravado pelo cenário internacional de alta nos preços das
commodities. Um estudo da Fiocruz revelou que as hospitalizações de bebês
menores de 1 ano por desnutrição atingiram o maior patamar dos últimos 13
anos.

Saúde Pública em Transição
A saúde pública, global e nacionalmente, entrou em uma nova fase
em 2022. O Brasil encerrou o estado de Emergência em Saúde Pública de
Importância Nacional (ESPIN) em 22 de maio, após dois anos de vigência, devido
ao avanço da vacinação e a um cenário epidemiológico mais ameno. No entanto,
o mundo foi imediatamente testado por um novo surto: a varíola dos macacos
(mpox), que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou como uma
Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional em julho.
O ano também foi marcado pela queda preocupante na cobertura
vacinal contra a poliomielite, que levou a Organização Pan-Americana da Saúde
(OPAS) a emitir um alerta sobre o "risco muito alto" de reintrodução da doença
no Brasil. O país, que não registra um caso de pólio há 32 anos, teve uma
24

campanha nacional que imunizou mais de 52% das crianças, mas a cobertura
vacinal geral caiu em todas as regiões, em parte devido à hesitação e
desinformação, e à desigualdade no acesso aos serviços de saúde.
A saúde mental da população também foi um tema central.
Especialistas descreveram a situação como uma "segunda pandemia" no Brasil,
com o aumento de quadros de ansiedade e depressão após a crise sanitária.
Dados do Datasus mostraram que os óbitos por lesões autoprovocadas dobraram
nos últimos 20 anos, e os indícios apontam para um aumento ainda maior desse
percentual após a pandemia. Além disso, o país registrou 1,3 milhão de
ocorrências de dengue em 2022, com 999 mortes confirmadas, o maior número
anual de óbitos pela doença desde 2015.

Retomada da Cultura e do Esporte
O ano de 2022 também foi marcado pela retomada dos grandes
eventos e por fenômenos midiáticos que demonstraram a ânsia da população
por normalidade, ao mesmo tempo que revelam as novas dinâmicas da cultura
e do entretenimento. Os desfiles do Carnaval em São Paulo e no Rio de Janeiro,
por exemplo, que não ocorreram na data tradicional de fevereiro por conta da
variante Ômicron do coronavírus, aconteceram em abril. Grandes festivais de
música como Lollapalooza e Rock in Rio voltaram a acontecer e reuniram
multidões, simbolizando um lento retorno à vida social pós-pandemia.
No esporte, a Copa do Mundo no Catar monopolizou as atenções no
final do ano. A Seleção Brasileira, considerada a favorita e a segunda equipe
mais valiosa do torneio, gerou grande expectativa. No entanto, o sonho do
hexacampeonato foi interrompido nas quartas de final, com a eliminação nos
pênaltis para a Croácia, resultando na pior colocação do Brasil em Copas do
Mundo desde 1990.
Paralelamente aos eventos organizados, a esfera midiática global foi
palco de acontecimentos espontâneos que geraram intensos debates e
reflexões. A cerimônia do Oscar, por exemplo, foi marcada pelo episódio em
que o ator Will Smith deu um tapa no comediante Chris Rock ao vivo, após uma
piada sobre sua esposa, Jada Pinkett Smith. O vídeo viralizou em minutos, e o
desdobramento tornou-se um escândalo de repercussão mundial. Smith foi
banido da Academia por 10 anos. Chris Rock respondeu publicamente em um
especial de comédia meses depois, e a própria instituição do Oscar reformulou
seus protocolos de crise mostrando como um único momento pode levantar
questões complexas sobre humor, respeito, violência e saúde mental, além de
25

escancarar o poder de fogo das redes sociais em amplificar eventos ao vivo.
Já a morte da Rainha Elizabeth II, em setembro, representou mais do
que a passagem de uma figura monárquica; foi um marco de traansição histórica
e um evento midiático de proporções globais, que dominou as manchetes
internacionais em meio à crise energética e inflacionária que afetava o Reino
Unido.
No Brasil, a cultura digital e as redes sociais consolidaram-se como
espaços centrais na vida cotidiana. A internet ganhou destaque com fenômenos
de viralização como os memes e a ascensão de influenciadores. Figuras como
"Bora Bill" (José Welber de Morais), um técnico do futebol amador do Ceará cujo
bordão de otimismo se espalhou pelas redes após um vídeo de narração ao lado
de Marcos Gonzalez, e o "Luva de Pedreiro" (Orlando Silva), um pedreiro que
ficou famoso por seus vídeos no TikTok fazendo dribles e finalizações com seu
jeito autêntico de carisma e simplicidade, tornaram-se símbolos nacionais de
humor, juntamente com o seu bordão “receba”, com espontaneidade e uma
certa resiliência do espírito brasileiro. Esses fenômenos não apenas entreteram
milhões, mas também revelaram o poder das plataformas digitais em criar novas
formas de celebridade e comunidade, influenciando a cultura e o marketing.
Bill, por exemplo, acumulou centenas de milhares de seguidores,
participou de eventos como o Rock in Rio e virou até tema de músicas, enquanto
Luva de Pedreiro se tornou uma sensação esportiva, chegando a treinar com
jogadores profissionais e fechando contatos publicitários. Ambos representam
a transformação de pessoas comuns em ícones digitais, unindo humor,
identidade regional e engajamento massivo.

Tecnologia e o Legado de 2022
O ano de 2022 também foi marcado por importantes avanços
tecnológicos e científicos. Na astronomia, o Telescópio Espacial James Webb
(JWST) chegou à sua órbita final e liberou suas primeiras imagens coloridas, que
são até 100 vezes mais nítidas que as do Telescópio Hubble. O JWST abriu uma
nova janela para o universo, permitindo a observação de galáxias mais antigas
já vistas pelos olhos humanos e evidências de água em exoplanetas.
No Brasil, outro ponto de destaque foi a implementação gradual da
tecnologia 5G. Brasília foi a primeira capital a receber o sinal, seguida por São
Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e João Pessoa. O 5G não se limitou a
ampliar a velocidade da internet, mas trouxe promessas de transformação em
26

áreas como saúde, transporte e educação, ao viabilizar inovações como
telemedicina de alta precisão, veículos autônomos e cidades inteligentes. Ainda
que seus impactos práticos no cotidiano da população estejam em fase inicial,
o avanço posicionou o país em um patamar estratégico para a economia digital.
Contudo, o grande marco de 2022 no campo tecnológico foi a
popularização da inteligência artificial conversacional, representada pelo
lançamento do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI. Disponibilizado ao público
em novembro, o modelo rapidamente se tornou um fenômeno mundial, com
milhões de usuários em poucas semanas. A ferramenta demonstrou capacidade
de responder perguntas, redigir textos acadêmicos, criar conteúdos criativos e
auxiliar na resolução de problemas complexos, revelando um potencial
disruptivo no campo da educação e do trabalho intelectual.
No meio acadêmico, o ChatGPT foi recebido tanto com entusiasmo
quanto com cautela. Professores e estudantes viram na ferramenta um recurso
inovador para pesquisas, produção de ensaios e sínteses de textos. Ao mesmo
tempo, surgiram preocupações éticas sobre plágio, superficialidade de análises
e substituição de processos de aprendizagem crítica. No mercado de trabalho,
a inteligência artificial trouxe reflexões sobre a automação de funções
cognitivas, sinalizando mudanças profundas em profissões ligadas à redação,
tradução, programação e atendimento.
O impacto do ChatGPT também foi cultural: tornou-se pauta em
jornais, redes sociais e debates públicos, exemplificando como a tecnologia não
é apenas um recurso técnico, mas também um fenômeno social que altera a
forma como nos relacionamos com o conhecimento e com o mundo digital.
Assim, 2022 entrou para a história como o ano em que a inteligência artificial
deixou de ser um conceito restrito à pesquisa acadêmica e passou a ser
vivenciada no cotidiano de milhões de pessoas.

Conclusão: Um Ano de Legados e Contrastes
O legado de 2022 é o de um período que evidenciou as grandes
fraturas e a interdependência de crises em um cenário mundial cada vez mais
instável. A guerra na Europa, as emergências climáticas e as crises energéticas
e alimentares criaram um pano de fundo global contra o qual o Brasil viveu seu
próprio ano de transformações.
A eleição presidencial no Brasil, a mais disputada de sua história, não
solucionou as tensões, mas as deslocou para uma nova etapa, em que os
27

desafios ambientais e sociais se tornaram urgências inadiáveis. A
vulnerabilidade democrática ficou perceptível, impulsionando a sociedade civil
a se mobilizar em defesa das instituições.
A esfera midiática, por sua vez, refletiu essa realidade
multifacetada, de um lado, eventos globais como o incidente de Will Smith no
Oscar e a morte da Rainha Elizabeth II, dominaram os debates públicos; de
outro, fenômenos digitais genuinamente brasileiros, como os memes do “Bora
Bil” e a ascensão do “Luva de Pedreiro”, revelaram a força das redes sociais
em criar novas formas de comunidade e expressão no cotidiano.
Em síntese, 2022 foi um ano que desfez a ideia de um retorno pleno
à normalidade pós-pandemia e consolidou uma realidade mais incerta e
interconectada, em que guerras, desastres climáticos, crises políticas,
transformações tecnológicas e manifestações culturais se entrelaçaram. A
capacidade de resposta de países e sociedades aos próximos desafios dependerá
de uma visão mais ampla dessas conexões e da disposição em cooperar diante
de problemas que ultrapassam fronteiras nacionais, sem ignorar o papel da
cultura e do cotidiano na forma como enfrentamos tempos de incerteza. O ano
deixou claro que os eventos globais não são distantes, mas moldam diretamente
a realidade local, exigindo respostas igualmente interligadas.

28

2022
Um Ano de Resistência e
Adaptação na UFAL
Andreina Suellen Santos Lima
Giovanna Carvalho Lira Matos
Ludmyla Vitória Brito de Souza Lima
Marcus Vinícius da Silva

29

O ano de 2022 representou um divisor de águas para os alunos do
curso de Administração Pública da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Após iniciar a graduação no período da pandemia e cursar o primeiro período
de forma remota, o retorno às aulas presenciais trouxe alívio, mas também
novas adversidades que testaram não apenas a capacidade acadêmica dos
estudantes, mas também sua resiliência emocional e social.
No cenário mundial e nacional, 2022 também era anunciado como o
ano da retomada. Após o isolamento, o mundo voltava a se abrir e a promessa
de um “novo normal” ganhava força. A ciência avançava o telescópio James
Webb explorava o universo, enquanto a inteligência artificial, com o ChatGPT,
revelava um novo horizonte de possibilidades. No entanto, essa promessa de
estabilidade e progresso se mostrou parcial: o mesmo ano que simbolizava o
recomeço também expôs novas formas de crise e exaustão.
Nesse contexto, a vivência universitária refletiu o que acontecia fora
dos muros da universidade: o desejo de recomeçar, mas com o peso das
limitações que ainda persistiam. Para muitos, foi a primeira vez pisando no
campus, e engana-se pensar que a maioria dos alunos residia em Arapiraca. Eles
vinham de diversos municípios: Batalha, Campo Alegre, Craíbas, Maribondo,
Palmeira dos Índios, Penedo, Santana do Ipanema, Taquarana e Teotônio Vilela.
Todos com grandes expectativas de se conhecerem pessoalmente, além de
encontrarem seus professores que, curiosamente, deslocavam-se de Aracajú
(SE), João Pessoa (PB), Maceió (AL) e até de Salvador (BA).
A interação humana, antes limitada a microfones desligados e
câmeras fechadas, finalmente ganhou vida. O encontro com o espaço físico da
universidade foi um momento aguardado e carregado de expectativas, no
entanto, os primeiros sinais de dificuldades começaram a se apresentar. Porém,
durante o andamento do período, um grande obstáculo se revelou: a dificuldade
ou a falta de transporte. Sendo uma turma majoritariamente composta por
alunos de diversas localidades, muitos enfrentavam inseguranças e verdadeiros
périplos para conseguir chegar ao campus.
Enquanto o mundo celebrava avanços digitais e novas tecnologias,
muitos estudantes ainda enfrentavam a dificuldade mais básica: chegar à sala
de aula. Essa contradição refletia a distância entre o discurso global de
progresso e a realidade local de precariedades estruturais. Para enfrentar esses
desafios, a criatividade se revelou. Algumas alunas passaram a organizar
caronas solidárias; grupos de WhatsApp surgiram como espaço para coordenar
rotas e dividir custos; e outros colegas chegaram a contratar motoristas em
conjunto para conseguir comparecer às aulas, ajustando os horários conforme
30

as necessidades de cada um.
O objetivo em busca da tão sonhada graduação tornou-se um desafio
e exigiu planejamento da rotina, principalmente para os alunos que lidam com
8h de trabalho diariamente. Era preciso fazer tudo de forma cronometrada,
para dar conta dos compromissos pessoais, profissionais e acadêmicos e, ao
início da noite, ter disposição de encarar o campus.
Além desses desafios, novos surtos de gripe e COVID-19, somados às
chuvas que assolaram Alagoas entre abril e agosto, forçaram a universidade a
suspender as aulas presenciais e retomar o modelo remoto. Curiosamente, o
Brasil também enfrentava as mesmas tempestades literais e simbólicas. As
enchentes em diversos estados expuseram a fragilidade da infraestrutura
nacional e a vulnerabilidade social diante das mudanças climáticas. As águas
que isolavam cidades e impediam o acesso ao campus refletiam o próprio
cenário do país: a promessa de normalidade sendo inundada pela realidade.
A situação das chuvas revelou a vulnerabilidade socioambiental do
estado, com estradas transformadas em rios e cidades isoladas. Tais situações
inviabilizaram a manutenção das atividades presenciais, pois colocavam em
risco a vida de todos. Com a retomada do ensino remoto emergencial,
problemas já identificados voltaram a aparecer: baixa capacidade de
concentração nas aulas, problemas de conexão, quedas de energia etc.
Reforçando a sensação traumática de um período recente marcado pelos
impactos da pandemia.
No entanto, embora esse período tenha revelado diversos aspectos
negativos, alguns estudantes destacam as facilidades proporcionadas pelas
aulas remotas, especialmente em relação ao transporte e à conciliação com o
trabalho. Nesse ponto, a vivência dos alunos se entrelaça novamente com o
cenário global: enquanto o mundo se encantava com a ascensão das tecnologias
digitais e da inteligência artificial, a realidade da universidade mostrava o outro
lado da modernidade as falhas de conexão e o esforço de manter o vínculo
humano no ambiente virtual.
O atraso no calendário acadêmico, causado pela pandemia, gerou
uma corrida para condensar os períodos letivos dentro do ano civil. Isso exigiu
que conteúdos de seis meses fossem ministrados em quatro, sobrecarregando
alunos e docentes. A situação gerava um desgaste crescente, especialmente em
um curso noturno, com discentes que trabalhavam durante o dia. As quintas e
sextas-feiras, dedicadas às disciplinas de exatas, eram as mais desafiadoras.
Ainda que os professores buscassem inovar e relacionar os conteúdos
31

à realidade pública, a desmotivação persistia, agravada pelo cansaço coletivo.
Diversos fatores também marcaram o ano: o esgotamento psicológico de
docentes e a exigência de trabalhos escritos. Embora as tecnologias digitais
tenham sido amplamente adotadas, muitos estudantes viram nessas exigências
um retorno simbólico à tradição acadêmica. Essa tensão entre o analógico e o
digital atravessava não só a universidade, mas também o país, refletindo o
contraste entre o avanço tecnológico e as desigualdades estruturais.
À medida que o curso avançava, houve uma redução significativa no
número de alunos de 40 para menos de 30 revelando um processo de filtragem
natural diante das dificuldades. Apesar das dificuldades, houve pontos de luz
ao longo do caminho. O envolvimento presencial permitiu maior interação entre
a comunidade acadêmica e impactou positivamente o desempenho dos alunos.
A participação em grupos como o NEABI, o LAPA e o projeto de
Educação Financeira ampliou a vivência acadêmica e despertou novos
interesses. A presença da professora Fabiana, única mulher do corpo docente,
foi símbolo de representatividade e inspiração para as alunas que passaram a
se ver na docência como possibilidade de futuro.
O contexto político de 2022, marcado pela polarização entre Lula e
Bolsonaro, reverberou dentro da universidade. Curiosamente, os estudantes
optaram por evitar debates acalorados, cultivando um espaço de respeito e
análise crítica. Assim como o Brasil tentava se reencontrar após um período de
divisão, também nós, dentro da universidade, aprendíamos a dialogar e a
conviver com as diferenças.
Sobretudo, 2022 foi um ano de metáforas vividas. As chuvas que
inundaram Alagoas espelharam o dilúvio de incertezas enfrentado pelos alunos.
A polarização política refletiu crises internas de identidade e propósito.
Entretanto, o ano também foi marcado por descobertas, vínculos e superações.
O retorno ao presencial deu forma concreta à vida universitária: os nomes
ganharam rostos, as vozes ganharam histórias e o campus passou a ser um
espaço de pertencimento real.
Assim, no meio do caos, a universidade revelou-se não apenas um
espaço de formação técnica, mas um campo de batalha onde persistência,
criatividade e solidariedade determinaram quem seguiria em frente. Se o ano
testou os limites dos estudantes, também os preparou para os desafios da
gestão pública em um país que, como os relatos, precisava aprender a resistir
e se reinventar.

32

2023
Um Ano de Reconstrução
e Tensões Globais
Fabiana dos Santos Ferreira da Silva
Kaylane Ferreira de Barros
Maria Edvania da Silva Santos
Rayanny Gabriella Rodrigues dos Santos

33

O ano de 2023 foi um marco de contradições, definido pela tensão
entre esforços de reconstrução e crises profundas, tanto no Brasil quanto no
cenário internacional. No Brasil, o país buscou restabelecer sua democracia
após anos de polarização, avançar na economia com reformas estruturais e
enfrentar desafios crônicos na educação. Globalmente, conflitos geopolíticos,
crises climáticas de proporções históricas e avanços tecnológicos
transformadores moldaram um mundo em transição. Essa dualidade entre
recuperação e instabilidade sintetiza um período de transformações intensas,
cujos desdobramentos continuarão a reverberar.

Política: Democracia Sob Teste
O ano de 2023 marcou o início de uma nova fase política no Brasil
com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 1º de janeiro, após uma eleição
marcada por divisões intensas. A cerimônia de posse, carregada de simbolismo,
trouxe Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto ao lado de representantes
da diversidade brasileira — mulheres, indígenas, pessoas com deficiência,
trabalhadores e crianças —, sinalizando um compromisso com a inclusão. A
ausência de Jair Bolsonaro (PL), que optou por viajar aos Estados Unidos após a
derrota eleitoral, destacou a polarização que definiria o ano. Menos de uma
semana depois, em 8 de janeiro, o Brasil enfrentou uma das maiores ameaças
à sua democracia recente: os atos golpistas em Brasília. Milhares de apoiadores
de Bolsonaro invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Supremo
Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, exigindo uma intervenção militar para
reverter o resultado eleitoral. A resposta institucional foi firme, com a prisão
de centenas de envolvidos e a criação da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, que, ao longo do ano, indiciou 61 pessoas,
incluindo o ex-presidente e aliados próximos, como o tenente-coronel Mauro
Cid, ex-ajudante de ordens. As investigações revelaram redes de financiamento
e organização, expondo a profundidade das tensões políticas.
Além disso, 2023 foi marcado por decisões judiciais que reforçaram
a accountability política. Em junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou
Bolsonaro inelegível até 2030, por abuso de poder político durante a campanha
de 2022, especialmente em reuniões com embaixadores onde questionou a
legitimidade do sistema eleitoral. Em outubro, uma nova condenação
relacionada ao uso político do Bicentenário da Independência consolidou sua
exclusão das urnas. O escândalo das joias, revelado no mesmo ano, trouxe à
tona tentativas de Bolsonaro, sua esposa Michelle e assessores de reter
presentes de luxo recebidos em viagens oficiais, que deveriam pertencer ao
34

acervo da União. Esse caso intensificou o escrutínio sobre a conduta do exgoverno, alimentando debates sobre ética pública.
No cenário internacional, Lula trabalhou para reposicionar o Brasil
como um ator relevante no multilateralismo. Sua visita à China em abril
fortaleceu parcerias comerciais, enquanto a participação na COP28, em Dubai,
colocou o país de volta ao centro das discussões climáticas globais. Os esforços
de mediação na guerra da Ucrânia, embora com resultados limitados, refletiram
a intenção de recuperar a influência brasileira em fóruns globais, após anos de
isolamento diplomático. Esses movimentos, porém, enfrentaram críticas
internas, com setores conservadores questionando a agenda externa do
governo.

Economia: Avanços com Limites
A economia brasileira em 2023 apresentou sinais de recuperação,
com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 3,2%, impulsionado principalmente
pelo desempenho excepcional do agronegócio, que se beneficiou de safras
recordes de soja e milho, e pelo setor de serviços, que se recuperou da
pandemia. Medidas estruturais marcaram o ano, com destaque para a
aprovação do Novo Arcabouço Fiscal, que substituiu o teto de gastos, e da
Reforma Tributária, promulgada em dezembro como Emenda Constitucional
132/2023. A reforma, considerada histórica, simplificou impostos sobre o
consumo, unificando ICMS e ISS em um modelo de IVA dual, com promessas de
maior eficiência econômica. Contudo, sua implementação está prevista para
ocorrer gradualmente até 2033, levantando debates sobre os impactos de curto
prazo.
Outras medidas econômicas incluíram a taxação de super-ricos e
fundos exclusivos, aprovada na Lei 14.754/2023, mas com efeitos fiscais
esperados apenas a partir de 2024. A redução gradual da taxa Selic, que caiu
de 13,75% para 11,75% ao longo do ano, aliviou os custos de crédito,
estimulando investimentos. O Pix consolidou-se como o principal meio de
pagamento do país, batendo recordes com mais de 3 bilhões de transações
mensais, enquanto o Drex, a moeda digital do Banco Central, teve seu piloto
iniciado em março, com operação plena planejada para 2024. O Drex, projetado
para modernizar o sistema financeiro, trouxe inovações como contratos
inteligentes, mas enfrentou desafios técnicos na fase inicial.
Apesar dos avanços, a economia enfrentou resistências. A taxação de
super-ricos gerou críticas de setores financeiros, que apontaram riscos de fuga
35

de capitais, enquanto o aumento real do salário mínimo (de R$ 1.302 para R$
1.320) e a renegociação de dívidas do FIES, beneficiando mais de 1 milhão de
estudantes, foram implementados com atrasos burocráticos. Esses entraves
reforçam a ideia de que os avanços econômicos de 2023, embora significativos,
vieram acompanhados de limites estruturais e desafios de execução.

Educação: Reformas e Desafios Estruturais
A educação brasileira esteve no centro de debates acalorados em
2023, refletindo tanto esforços de modernização quanto crises estruturais. O
Novo Ensino Médio, implementado desde 2022, enfrentou protestos de
estudantes e professores em dezenas de cidades, que criticaram a redução de
disciplinas tradicionais, como história e geografia, e a ampliação de
desigualdades regionais na oferta de itinerários formativos. O governo
reconheceu falhas e criou grupos de trabalho para revisar a política, mas
manteve sua estrutura básica, frustrando parte dos movimentos educacionais.
Para enfrentar os desafios, o governo lançou programas ambiciosos.
O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, anunciado em junho, destinou
R$ 1 bilhão em 2023 (parte de R$ 3 bilhões até 2026), com R$ 278 milhões
efetivamente repassados a estados e municípios para garantir alfabetização até
o 2º ano do ensino fundamental. O programa enfrentou atrasos iniciais devido
à complexidade de pactuações federativas, mas alcançou mais de 90% dos
municípios até dezembro. O Programa Escola em Tempo Integral, lançado em
julho, previu R$ 4 bilhões para o biênio 2023-2024, com R$ 1,7 bilhão repassados
em 2023, beneficiando cerca de 1 milhão de matrículas em 3.500 escolas. A
iniciativa visa ampliar o tempo escolar, mas enfrentou desafios logísticos, como
a falta de infraestrutura em regiões periféricas. Já a Estratégia Nacional de
Escolas Conectadas, lançada em setembro, destinou R$ 8,8 bilhões até 2026,
com R$ 279 milhões repassados em 2023, conectando 92 mil escolas públicas à
internet de alta velocidade. Apesar dos investimentos iniciais, que somaram
mais de R$ 2 bilhões em 2023, a implementação enfrentou entraves, como
atrasos na entrega de equipamentos e treinamento de professores.
Outros avanços incluíram a atualização da Lei de Cotas, que passou
a beneficiar estudantes quilombolas, e a criação de 100 novos campi de
Institutos Federais, ampliando o acesso à educação técnica em regiões menos
atendidas. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou quase 4 milhões
de inscritos, o maior número desde a pandemia, com forte participação
feminina (60%) e do Nordeste (35%). No entanto, a educação enfrentou crises
graves. O Brasil registrou 11 ataques a escolas em 2023, com 11 mortos, o maior
36

número da história, levando à criação de políticas de segurança e um
departamento de educação midiática para combater a desinformação. Os
resultados do PISA 2022, divulgados em dezembro de 2023, expuseram
fragilidades: o Brasil ficou em 65º lugar em matemática entre 81 países (pior
20%), 62º em ciências e 52º em leitura (pior 35%), com notas de 379, 403 e 410,
respectivamente. Esses números reforçam a necessidade de reformas profundas
para melhorar a qualidade educacional.

Escalada de Tensões Geopolíticas
No cenário internacional, 2023 foi marcado por uma escalada de
conflitos que intensificaram a instabilidade global. A guerra na Ucrânia, iniciada
em 2022, continuou a impactar cadeias globais de suprimentos, especialmente
de grãos e energia, com o Brasil tentando mediar por meio de propostas de
cessar-fogo apresentadas em fóruns como o G20. Em 7 de outubro, um ataque
do Hamas no sul de Israel, que matou cerca de 1.200 pessoas, desencadeou uma
ofensiva israelense em Gaza, resultando em mais de 19.000 mortos em 74 dias,
segundo o Ministério da Saúde do Hamas, e uma crise humanitária com milhares
de deslocados. A escalada gerou protestos globais e debates sobre o direito
internacional, com o Brasil defendendo uma solução de dois estados na ONU. A
tensão entre Estados Unidos e China também cresceu, com o abate de um balão
chinês em fevereiro, acusado de espionagem, adiando a visita do secretário de
Estado Antony Blinken a Pequim. Esses eventos, somados a tensões regionais,
como disputas no Mar do Sul da China, evidenciaram um mundo em crescente
polarização geopolítica.

Crises Climáticas: Um Alerta Global
As mudanças climáticas foram uma das maiores preocupações de
2023, com o planeta registrando recordes de temperatura. Em 17 de novembro,
a média global ultrapassou 2,07°C acima dos níveis pré-industriais, segundo o
Copernicus, marcando o dia mais quente da história moderna. Eventos extremos
incluíram ondas de calor na Europa, com temperaturas acima de 40°C na
Espanha e Itália, e incêndios devastadores no Havaí, que destruíram a cidade
de Lahaina e mataram mais de 100 pessoas. No Brasil, o colapso da mina da
Braskem em Maceió, causado por décadas de exploração de sal-gema, forçou a
evacuação de milhares de famílias e reacendeu debates sobre a
responsabilidade socioambiental de grandes empresas. O terremoto de
magnitude 7,8 na Turquia e Síria, em 6 de fevereiro, seguido por réplicas,
37

deixou cerca de 59.000 mortos, incluindo 6.000 na Síria, e milhões de
desabrigados, sendo um dos desastres mais letais do século. Esses eventos
reforçaram a urgência de ações climáticas e humanitárias, com a COP28
destacando compromissos para reduzir emissões, embora com críticas à
lentidão dos acordos.

Avanços Tecnológicos: Transformação e Ética
A tecnologia desempenhou um papel central em 2023, com a
inteligência artificial (IA) generativa, como o ChatGPT, revolucionando setores
como comunicação, educação, cultura e economia. Empresas adotaram IA para
criar conteúdos personalizados, de assistentes virtuais a campanhas
publicitárias, enquanto universidades começaram a debater os impactos éticos
no ensino e na pesquisa. A expansão do 5G, que atingiu 80% das capitais
brasileiras e avançou globalmente, permitiu inovações como cidades
inteligentes e telemedicina, mas também expôs desigualdades de acesso em
áreas rurais. Na medicina, a tecnologia CRISPR-Cas9 avançou no tratamento de
doenças genéticas, como a cegueira congênita, enquanto o medicamento
lecanemab, aprovado em 2023, trouxe esperança ao retardar a progressão do
Alzheimer, atacando placas beta-amiloides no cérebro. Esses avanços, no
entanto, levantaram questões éticas cruciais: quem terá acesso a essas
tecnologias? Como regular a IA para evitar desinformação e desigualdades? Em
um mundo marcado por polarização e crises, essas perguntas permaneceram
sem respostas definitivas.

Episódios Marcantes
Além dos conflitos e desastres, eventos específicos capturaram a
atenção global em 2023. Em 18 de junho, o submersível Titan implodiu durante
uma expedição turística aos destroços do Titanic, matando seus cinco
passageiros e expondo os riscos do turismo de alto risco e a falta de
regulamentação em empreendimentos privados de exploração oceânica. No
Reino Unido, a coroação de Charles III, em 6 de maio, marcou a primeira
cerimônia do tipo em 70 anos, após a morte de Elizabeth II. Realizada na Abadia
de Westminster, com 2.200 convidados, a coroação incluiu a consagração de
Camilla como rainha consorte e destacou a modernização da monarquia,
embora tenha gerado debates sobre seu custo em meio à crise econômica
global. Em 5 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o fim da
emergência sanitária da covid-19, após três anos e meio, refletindo a queda nas
38

taxas de mortalidade e a ampla vacinação. No entanto, o diretor-geral Tedros
Ghebreyesus alertou que o vírus ainda circulava, recomendando a continuidade
de medidas preventivas, como vacinação e monitoramento. Esses eventos,
embora distintos, refletiram as tensões entre progresso, risco e recuperação
que marcaram 2023.

Considerações Finais
O ano de 2023 foi um espelho das tensões e esperanças de um mundo
em transição. No Brasil, a reconstrução política, econômica e educacional
enfrentou obstáculos impostos pela polarização, pela complexidade de
reformas estruturais e por crises como os ataques a escolas e os resultados
preocupantes do PISA. No cenário global, a escalada de conflitos — da Ucrânia
a Gaza, passando pelas tensões EUA-China — somada a desastres climáticos e
avanços tecnológicos, revelou um planeta em busca de equilíbrio em meio a
instabilidades. A inteligência artificial e inovações médicas abriram novas
possibilidades, mas também expuseram desafios éticos e desigualdades. A
reconstrução, tanto no Brasil quanto no mundo, exigiu enfrentar crises herdadas
e emergentes, desde a fragilidade democrática até as mudanças climáticas.
Assim, 2023 se consolida como um ano de aprendizados, marcado por avanços
significativos, mas também por desafios que demandarão esforços contínuos
nos anos seguintes.

39

2023
Desafios, aprendizado e
crescimento pessoal e
profissional
Deysa Maria de Araujo Silva
Giovanni Davi Rodrigues Barbosa
Karla Evellyn dos Santos Silva Coimbra
Maysa Mayara da Silva

40

O ano de 2023 no Campus Arapiraca da Universidade Federal de
Alagoas (UFAL) foi marcado por uma intensa adaptação ao calendário
acadêmico atípico, desenhado para compensar os atrasos decorrentes da
pandemia de COVID-19. A decisão de condensar três períodos letivos — a
conclusão do semestre 2022.2, o avanço completo de 2023.1 e o início de
2023.2, que se estendeu até abril de 2024 — impôs aos estudantes um ritmo
acelerado, exigindo organização, disciplina e uma capacidade de adaptação que
testou seus limites. Esse esforço coletivo refletiu a resiliência da comunidade
acadêmica, que buscava retomar o curso normal das atividades após anos de
interrupções. A retomada das aulas presenciais, combinada com experiências
práticas como estágios, visitas técnicas e projetos de extensão, desempenhou
um papel central no desenvolvimento integral dos alunos, fortalecendo suas
competências técnicas, sociais e emocionais. Esse período foi decisivo na
construção de profissionais mais preparados e cidadãos conscientes de seu
papel na sociedade, consolidando uma base sólida para suas futuras trajetórias.

Os Desafios da Transição do Ensino Remoto ao Presencial
Desde o início do curso em 2021, os estudantes enfrentaram um
cenário de incertezas e dificuldades, amplificado pelo ensino remoto imposto
pela pandemia. A transição para uma modalidade híbrida ou totalmente online
demandou ajustes profundos nas rotinas acadêmicas e pessoais, afetando a
interação direta com colegas e professores. A ausência de debates presenciais
e da convivência cotidiana, elementos fundamentais para a formação em
Administração Pública, gerou um vazio que muitos relataram como desafiador.
Limitações tecnológicas, como acesso instável à internet ou falta de
equipamentos adequados, somaram-se à sobrecarga emocional decorrente do
isolamento, criando barreiras significativas ao aprendizado. Estudantes de
cidades distantes, como Penedo e Palmeira dos Índios, enfrentaram ainda mais
obstáculos, dependendo de conexões precárias e enfrentando dificuldades
logísticas.

As Experiências de Prática e Inserção no Mercado de Trabalho
O ano de 2023 destacou-se pelas oportunidades práticas que
conectaram os alunos à realidade da gestão pública. A visita ao Tribunal de
Contas do Estado de Alagoas (TCE/AL) em Maceió foi um momento pivotal.
Durante a sessão plenária, estudantes como Pedro Lucas testemunharam os
conselheiros debatendo projetos e decisões, oferecendo uma visão prática do
41

controle externo. Essa experiência, viabilizada pelo retorno presencial, tinha
como objetivo principal aproximar os alunos da rotina de um órgão de
fiscalização, permitindo que conectassem teoria a ações concretas. A imersão
revelou a complexidade das auditorias e a importância de uma gestão
responsável, inspirando reflexões sobre o papel do gestor público e motivando
uma postura crítica diante das responsabilidades futuras.
Outra experiência transformadora foi a visita à Serra da Barriga, em
União dos Palmares, organizada pela professora Fabiana com a turma do 9º
período. Como símbolo de resistência quilombola, o local ofereceu uma imersão
histórica e cultural que transcendeu o âmbito acadêmico. Alunos com raízes
quilombolas relataram uma conexão profunda com o ambiente, sentindo-se
tocados pela atmosfera de luta e preservação. O objetivo da visita ia além da
observação: era incentivar reflexões sobre identidade, sustentabilidade e o
papel social dos administradores públicos. Essa atividade, possível graças à
normalidade retomada, enriqueceu a formação emocional e contextualizou a
gestão pública em um cenário histórico, destacando a relevância de saídas de
campo para uma educação integral.
As Atividades Curriculares de Extensão (ACEs) também se
destacaram. A ACE I, no 2º semestre, conduzida pelo professor Leonardo,
envolveu a análise de conselhos municipais, como Cultura, Criança e
Adolescente, Idoso e Pessoa com Deficiência. Divididos em grupos, os alunos
acompanharam sessões, coletaram dados e elaboraram relatórios, aplicando
ferramentas como a matriz SWOT para propor planos de ação. Essa atividade,
visava desenvolver habilidades analíticas e estratégicas, fortalecendo o
compromisso com políticas públicas e oferecendo uma base prática para futuros
projetos.
Já a ACE do professor Marconi, vinculada ao programa Viver Melhor
da Prefeitura de Arapiraca, focou na aplicação prática de políticas sociais. Os
alunos, participaram da coleta de dados primários junto à comunidade e da
elaboração de um relatório de diagnóstico para identificar necessidades
específicas, como melhorias em serviços básicos (saúde, saneamento e
educação). Essa metodologia estruturada permitiu observar impactos diretos na
população, avaliar a eficácia das intervenções e propor recomendações,
reforçando a conexão entre teoria e ação social. A experiência destacou a
importância da extensão na formação prática, um ganho direto que ampliou o
escopo das atividades extracurriculares.
Essas iniciativas, foram cruciais para a formação acadêmica. Elas
contextualizaram os conteúdos teóricos, desenvolveram competências como
42

trabalho em equipe e resiliência, e prepararam os alunos para o mercado de
trabalho. A normalidade restabelecida permitiu que essas atividades
transcendessem o ambiente virtual, oferecendo uma vivência mais rica e
alinhada às demandas da administração pública moderna.

Os Desafios e Conquistas na Vida Acadêmica e Pessoal
A rotina de 2023 foi marcada por altos e baixos, com desafios como
deslocamentos longos — especialmente para alunos de Penedo, Palmeira dos
Índios e outras regiões distantes — e a necessidade de conciliar estudos,
estágios e vida pessoal. Muitos relataram o peso de uma carga horária intensa,
agravada pela aceleração do calendário. Apesar disso, a disciplina e a
organização cultivadas ao longo do ano fortaleceram a autonomia dos
estudantes. O fortalecimento de vínculos sociais, por meio de amizades e apoio
mútuo, tornou-se um pilar de suporte, enquanto a participação em conferências
municipais sobre meio ambiente e políticas públicas aumentou a confiança no
curso.
Relatos de superação, como o enfrentamento de medos e
inseguranças durante os deslocamentos noturnos ou a adaptação a uma rotina
exaustiva, evidenciaram um crescimento pessoal significativo. Esses desafios
transformaram-se em oportunidades, elevando a autoestima e a resiliência.
Alunos como Kaylane Ferreira destacaram a superação de ir à faculdade de
moto, enfrentando pistas escuras e inseguras, como um marco de
independência. Essa experiência, comum a muitos, reflete a determinação que
moldou o ano, preparando-os para enfrentar adversidades futuras com maior
confiança.

A Construção de uma Visão Crítica e Planejamento para o Futuro
Os relatos apresentados nos textos individuais dos estudantes do
curso de Administração Pública da UFAL Campus Arapiraca demonstram que,
mesmo diante de um ano marcado por dificuldades como o calendário
acadêmico acelerado com três períodos letivos condensados em um só
(abrangendo a conclusão de 2022.2, o avanço completo de 2023.1 e o início de
2023.2, que se estendeu até abril de 2024), o excesso de trabalhos, provas,
seminários, projetos e atividades extracurriculares impostas pelos professores
— que pareciam intensificar-se a cada período, gerando cansaço acumulado e
sensação de "saco cheio" (como relatado por Giovanni Davi) —, e a transição
43

para o ensino totalmente presencial após anos de modalidade remota ou híbrida
durante a pandemia, a experiência na UFAL foi fundamental para o crescimento
pessoal, acadêmico e profissional dos estudantes. Esses desafios, destacados
nos relatos mais relevantes, como os de Rayanny Gabriella (que descreveu o
ano como uma "saga sem fim" com cinco dias de aulas semanais, entregas
constantes e a luta para conciliar rotina exaustiva com trabalho diurno,
culminando em um grito de "socorro Deus" pela falta de convivência social),
Kaylane Ferreira (que superou o medo de deslocamentos noturnos de moto em
pistas mal iluminadas e com baixa movimentação, especialmente às 22h),
Andreina Suellen (que batalhou com problemas de transporte, aumento de
roubos na região, frustração por negociações infrutíferas com responsáveis pelo
transporte universitário e um problema familiar que quase a levou a trancar o
curso, agravados por dificuldades logísticas em Penedo), e Felipe Alexandrino
(que enfrentou deslocamentos exaustivos de sete horas diárias entre Penedo e
Arapiraca, somados à negociação de horários no trabalho para não perder aulas,
renunciando a pausas de almoço), atuaram como catalisadores para o
desenvolvimento de competências essenciais ao longo de suas carreiras no setor
público e na sociedade de modo geral.
O retorno às atividades presenciais, aliado às práticas acadêmicas,
visitas institucionais e estágios, possibilitou aos estudantes vivenciar o
cotidiano da administração pública, fortalecer vínculos e aprofundar a
compreensão sobre os papéis e responsabilidades dos gestores públicos. Além
disso, a capacidade de adaptação, resiliência e superação demonstrada pelos
alunos evidencia a maturidade adquirida nesse percurso, decisiva para a
consolidação de suas trajetórias acadêmicas e profissionais.
Complementando o amadurecimento individual, outro aspecto
relevante foi a ampliação da participação discente em eventos, projetos de
extensão e espaços de debate, o que contribuiu para a troca de experiências,
o exercício da cidadania e o fortalecimento do engajamento crítico diante das
demandas sociais. Esses elementos reforçam a importância de uma formação
que ultrapassa os limites da sala de aula e se conecta diretamente com a
realidade da comunidade.
A integração entre teoria e prática por meio de estágios, visitas
técnicas, atividades de extensão e monitoria enriqueceu a formação acadêmica
e fortaleceu o vínculo dos discentes com a realidade social e institucional. Esse
processo favoreceu o desenvolvimento de uma visão mais crítica e
contextualizada sobre os desafios da1 administração pública, estimulando o
compromisso com o desenvolvimento social e, consequentemente, a busca pela
melhoria contínua dos serviços prestados à população. Apesar das demandas
44

intensas e das dificuldades enfrentadas, esse percurso deixa como legado
amadurecimento, autonomia e responsabilidade social. Os estudantes saem
fortalecidos e mais conscientes de seu papel como agentes de mudança,
preparados para contribuir com uma gestão pública mais transparente, inclusiva
e eficiente. O ano representou, assim, não apenas a conclusão de ciclos, mas
também o início de uma atuação profissional pautada pelo propósito de servir
com excelência e integridade.

Considerações Finais: Um Ano de Transformação
O ano de 2023, marcado por desafios como o calendário acelerado,
a transição pós-pandemia, deslocamentos e a intensidade das demandas
acadêmicas, foi também um período de conquistas e aprendizados na UFAL. A
retomada presencial, aliada a estágios, visitas e ACEs, enriqueceu a formação,
promovendo integração e reflexão crítica. Apesar das dificuldades, os alunos
desenvolveram resiliência, autonomia e compromisso social, saindo preparados
para atuar como agentes de mudança. Mais do que a conclusão de ciclos, 2023
representou o início de uma trajetória profissional pautada por excelência,
ética e transformação social, deixando um legado de amadurecimento e
propósito.

45

2024
Entre as crises estruturais
e as promessas de
transformação
Deysa Maria de Araujo Silva
Giovanni Davi Rodrigues Barbosa
Karla Evellyn dos Santos Silva Coimbra
Maysa Mayara da Silva

46

Introdução
O ano de 2024 apresentou-se como um período de intensas
contradições, no qual avanços científicos, culturais e institucionais coexistiram
com graves crises ambientais, instabilidades políticas e tensões sociais. No
Brasil, acontecimentos como as enchentes no Rio Grande do Sul, a prisão dos
mandantes do assassinato de Marielle Franco e a decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF) sobre a descriminalização do porte de maconha revelaram tanto
desafios estruturais quanto movimentos de renovação institucional. No cenário
internacional, episódios como a eleição de Donald Trump, os Jogos Olímpicos
de Paris, o pouso japonês na Lua e o primeiro implante de chip cerebral em
humanos evidenciaram um mundo em transição, marcado pela simultaneidade
de inovações e crises.
O objetivo deste documento é analisar os principais acontecimentos
de 2024 a partir de uma perspectiva narrativa-analítica, destacando suas
causas, consequências e possíveis projeções para o futuro.

Brasil: vulnerabilidades e reinvenções institucionais
No caso brasileiro, a dimensão ambiental foi o ponto de partida para
compreender a complexidade do ano de 2024. As enchentes no Rio Grande do
Sul representaram um dos episódios mais dramáticos da história recente do
país, revelando de forma contundente a vulnerabilidade das cidades brasileiras
diante das mudanças climáticas. A tragédia, agravada por queimadas na
Amazônia e no Cerrado e por recordes de temperatura, trouxe à tona não
apenas falhas estruturais, mas também a urgência de políticas públicas efetivas
voltadas à prevenção e adaptação climática. Apesar do cenário de destruição,
o episódio também revelou a força da solidariedade nacional. A mobilização
social e institucional, com o portal SOS Enchentes, o Auxílio Reconstrução e o
engajamento do setor privado, mostrou que a sociedade brasileira é capaz de
reagir com empatia e eficiência diante de crises de grande escala. Assim, o
debate ambiental consolidou-se como um eixo central da agenda pública,
demonstrando que o desafio climático é, acima de tudo, um desafio ético e
civilizacional.
No campo político e institucional, o Brasil continuou imerso em um
contexto de polarização e disputas ideológicas. O ano foi marcado por debates
intensos sobre o papel das instituições democráticas e sobre a relação entre
direitos civis e valores tradicionais. A prisão dos mandantes do assassinato de
Marielle Franco simbolizou uma vitória da justiça e da mobilização social,

47

reafirmando o compromisso do Estado com o combate à impunidade e à
violência política. Por outro lado, a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre
a descriminalização do porte de maconha reacendeu tensões morais e
ideológicas, evidenciando um país dividido entre o avanço das pautas
progressistas e a resistência conservadora. Esse cenário refletiu não apenas a
polarização política, mas uma disputa mais profunda: o embate entre o velho e
o novo modelo de sociedade, entre estruturas tradicionais de poder e uma
crescente demanda por uma democracia mais inclusiva e ética. Ainda assim,
políticas como o Concurso Nacional Unificado e a aprovação da Lei Joca, voltada
ao bem-estar animal, sinalizaram uma tentativa de renovação institucional e
modernização administrativa.
Do ponto de vista econômico, 2024 consolidou-se como o ano do
empreendedorismo e da recuperação produtiva. O Brasil registrou a menor taxa
de desemprego desde 2014 e um número recorde de mais de quatro milhões de
novas empresas abertas, resultado de políticas de desburocratização,
ampliação do crédito e incentivo à formalização. O protagonismo do
microempreendedor individual (MEI) destacou-se como símbolo da vitalidade da
economia popular e da capacidade de adaptação dos brasileiros diante das
transformações do mercado de trabalho. No entanto, o expressivo número de
empresas encerradas e a persistência da informalidade evidenciaram que a
expansão econômica ainda é desigual e frágil, concentrada em setores de baixa
produtividade e marcada por condições precárias de trabalho. Assim, o
empreendedorismo de 2024 representou tanto uma forma de autonomia e
criatividade quanto um reflexo das carências estruturais de um Estado que
ainda não assegura pleno acesso a oportunidades econômicas e sociais.
A questão da violência também se manteve como um dos aspectos
mais emblemáticos da realidade brasileira. Em 2024, o país registrou redução
nas mortes violentas intencionais, mas aumentos preocupantes em feminicídios,
crimes sexuais e letalidade policial. Esses dados evidenciam que, embora haja
avanços pontuais, a violência permanece como um espelho das desigualdades e
vulnerabilidades sociais. As vítimas continuam sendo, majoritariamente,
pessoas negras, jovens e de baixa renda, o que reforça a persistência de um
padrão histórico de exclusão e desproteção. Além disso, a violência de gênero
e o aumento dos crimes sexuais revelam a urgência de políticas públicas que
enfrentem as raízes culturais da misoginia e da desigualdade. Desse modo, a
violência em 2024 não foi apenas um problema de segurança pública, mas um
sintoma das contradições sociais que ainda limitam o pleno exercício da
cidadania no país.
No contexto internacional, o ano de 2024 foi igualmente marcado por

48

tensões e transformações. A reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos
simbolizou o retorno de uma agenda nacionalista e protecionista, com impactos
sobre a economia global, as alianças internacionais e os compromissos
ambientais. O prolongamento do conflito entre Israel e Hamas evidenciou a
fragilidade das instituições multilaterais e a incapacidade de mediar crises
históricas, reforçando um cenário de instabilidade geopolítica. Em
contrapartida, avanços científicos e tecnológicos trouxeram novos horizontes e
dilemas éticos: o pouso japonês na Lua reafirmou a multipolaridade na
exploração espacial, enquanto o primeiro implante de chip cerebral em
humanos inaugurou discussões profundas sobre privacidade, autonomia e
desigualdade de acesso às tecnologias. No campo cultural e religioso, a
canonização de Carlo Acutis, o “santo millennial”, e a realização dos Jogos
Olímpicos de Paris destacaram a busca da humanidade por símbolos de unidade,
espiritualidade e superação em meio a tempos de fragmentação e crise.
Esses diferentes acontecimentos, tanto no Brasil quanto no mundo,
revelam um denominador comum: 2024 foi um ano de transição. O planeta
experimentou simultaneamente avanços tecnológicos impressionantes e
retrocessos democráticos preocupantes, enquanto o Brasil oscilou entre
conquistas institucionais e velhas desigualdades. O desafio coletivo esteve em
transformar progresso material em inclusão social, inovação em ética e
crescimento em sustentabilidade.

Conclusão
O ano de 2024 pode ser interpretado como um marco de redefinições
históricas, no qual a humanidade foi desafiada a repensar seus modelos de
desenvolvimento, governança e convivência. No Brasil, as tragédias ambientais
e as reações solidárias revelaram tanto a fragilidade estrutural quanto a
capacidade de união e resiliência da sociedade. A política manteve-se
polarizada, mas também indicou sinais de renovação institucional, enquanto a
economia mostrou vitalidade empreendedora, ainda que limitada por
desigualdades persistentes. A violência, por sua vez, reafirmou os limites da
democracia brasileira e a urgência de políticas sociais integradas. No cenário
global, as inovações científicas e tecnológicas conviveram com tensões políticas
e éticas, evidenciando que o progresso técnico não garante, por si só, o avanço
moral e humano.
Dessa forma, a principal mensagem deixada por 2024 é a de que o
futuro dependerá da capacidade coletiva de transformar crises em
oportunidades e contradições em aprendizado. O ano foi um espelho da era

49

contemporânea: um tempo de contrastes, no qual o avanço e o retrocesso
caminharam lado a lado. Entre tragédias e conquistas, o mundo de 2024 deixou
claro que os rumos da humanidade dependem menos das tecnologias que cria e
mais dos valores que escolhe preservar.

50

2024
Conquistas e Desafios no
Curso de Administração
Pública da UFAL
Fabiana dos Santos Ferreira da Silva
Kaylane Ferreira de Barros
Maria Edvania da Silva Santos
Rayanny Gabriella Rodrigues dos Santos

51

Introdução
O ano de 2024 representou um período de intensas experiências
acadêmicas e pessoais para os estudantes do curso de Administração Pública da
Universidade Federal de Alagoas (UFAL), caracterizado por desafios
institucionais, acontecimentos sociais e vivências práticas que marcaram
significativamente a formação de cada discente.
Foi um período de contrastes para os alunos do curso. Se, por um
lado, os discentes avançaram em disciplinas importantes, estreitaram vínculos
coletivos e vivenciaram experiências significativas de extensão, por outro,
enfrentaram longos meses de paralisação, alterações no calendário acadêmico,
reformas no campus, incertezas acadêmicas, preparação para o Trabalho de
Conclusão de Curso (TCC) e a sobrecarga de atividades. O ano foi, ao mesmo
tempo, de conquistas e de resistência, funcionando como mais um teste da
resiliência que a universidade pública exige daqueles que nela permanecem.
Este relatório reúne e analisa de forma integrada as experiências individuais,
oferecendo uma visão ampla das conquistas, dificuldades e aprendizados do ano
de 2024.

Desafios e oportunidades Institucionais e Acadêmicos
O início de 2024 foi recebido com entusiasmo. Após anos marcados
pela pandemia, pelas aulas híbridas e pelas constantes adaptações nos diversos
cenários acadêmicos, havia, enfim, a expectativa de estabilidade e
continuidade no calendário. Esse entusiasmo também vinha do sentimento de
estar cada vez mais perto de concluir o curso — uma etapa aguardada com
ansiedade e orgulho por todos que haviam enfrentado tantos desafios ao longo
da trajetória universitária.
O entusiasmo que marcou o início de 2024 foi interrompido pela
deflagração da greve nacional das universidades federais, iniciada ainda no final
do semestre letivo de 2023.2 e prolongada pelos primeiros meses de 2024.1. O
movimento, de alcance nacional, mobilizou docentes, técnicos-administrativos
e estudantes em torno de pautas que reivindicavam melhores condições de
trabalho, reajuste salarial, recomposição orçamentária e investimentos
estruturais nas instituições públicas de ensino superior, duramente afetadas nos

52

últimos anos. Embora fundamentada em demandas legítimas e essenciais para
a valorização da educação pública, a paralisação provocou efeitos significativos
no cotidiano acadêmico, com a suspensão prolongada das atividades e o
consequente atraso no calendário letivo. Muitos discentes relataram
dificuldades em manter a rotina de estudos e em lidar com a incerteza sobre o
retorno das aulas, além da preocupação com a conclusão do curso. Ainda assim,
esse período foi vivido de formas diversas: para alguns, representou um tempo
de pausa e reorganização pessoal, um respiro necessário após anos de intensas
adaptações e desafios; para outros, simbolizou a importância da mobilização
coletiva e da reflexão sobre o papel da universidade na sociedade. A greve,
portanto, não apenas marcou o ritmo do ano letivo, mas também deixou um
registro significativo de resistência, consciência crítica e amadurecimento
acadêmico e humano.
Um dos alunos descreveu o período como “um relógio quebrado, que
insiste em marcar a mesma hora, sem dar sinal de avanço”. Essa sensação
coletiva de estagnação remeteu a lembranças do tempo de pandemia, quando
a rotina acadêmica também foi interrompida de forma abrupta e o futuro
parecia indefinido. Assim como naquele período, muitos estudantes relataram
o impacto psicológico de viver em constante espera, divididos entre a esperança
e a incerteza. A cada nova assembleia docente ou nota oficial, renascia a
expectativa pelo retorno das aulas presenciais — expectativa que, repetidas
vezes, dava lugar à frustração. A greve, nesse sentido, reavivou memórias de
isolamento e suspensão do tempo, mostrando como momentos de pausa forçada
podem afetar não apenas o andamento do curso, mas também o emocional e a
motivação dos discentes.
Outro fator que impactou diretamente o ano acadêmico foi a reforma
estrutural no campus da UFAL, que exigiu uma ampla reorganização das
atividades presenciais. As intervenções físicas nos prédios, laboratórios e salas
de aula demandaram a realocação temporária de turmas e a antecipação de
avaliações, o que levou ao encerramento de disciplinas em prazos mais curtos
que o habitual. Essa readequação, necessária para garantir o andamento das
obras e a segurança da comunidade acadêmica, acabou gerando sobrecarga e
ansiedade entre os estudantes, que precisaram se adaptar rapidamente às
novas demandas. Conforme relataram Giovanni Davi Rodrigues Barbosa, Fabiana
dos Santos Ferreira da Silva e Cláudia Cristina Alves da Fonseca, o período foi
marcado por intensa pressão e por uma rotina acelerada, em que a capacidade
de adaptação tornou-se uma competência essencial para lidar com as incertezas
e manter o equilíbrio emocional diante das mudanças constantes.

53

Experiências de Extensão e Projetos Práticos
As Atividades Curriculares de Extensão (ACE), já mencionadas
anteriormente como parte essencial da formação prática, ganharam neste
período um novo significado e amplitude. Diferentemente de momentos
anteriores, em que o foco estava na introdução às práticas extensionistas, em
2024 as ações se consolidaram como experiências de aplicação direta dos
conhecimentos teóricos em contextos sociais reais. Os estudantes ampliaram
sua atuação junto a conselhos municipais — como o Conselho Municipal da
Criança e do Adolescente (CMDCA), o Conselho da Secretaria de Cultura e o
Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência —, aprofundando o diálogo com
políticas públicas e fortalecendo o compromisso social da universidade. Além
disso, o estudo das políticas educacionais na Região Metropolitana do Agreste,
com ênfase em instrumentos como o FUNDEB e o IDEB, proporcionou uma
compreensão mais crítica e contextualizada sobre os desafios da gestão
educacional. Assim, as ACE deste período se destacaram não apenas pela
continuidade, mas pela maturidade das ações e pela capacidade dos discentes
de conectar teoria, prática e responsabilidade social de forma mais integrada.
Andreina Suellen Santos Lima, Deysa Maria de Araujo Silva e Felipe Alexandrino
destacaram que essas experiências proporcionaram contato direto com a
realidade da administração pública e com a participação social, permitindo
desenvolver competências de diagnóstico, planejamento, análise de dados e
proposição de soluções.
A participação no evento SINPETE 2024 — Simpósio Integrado de
Pesquisa, Extensão, Trabalho e Estágio — também foi destacada como um marco
importante no percurso acadêmico. O evento, promovido pela universidade,
tem como objetivo socializar experiências, projetos e resultados das atividades
desenvolvidas pelos estudantes ao longo da formação, promovendo o diálogo
entre ensino, pesquisa e extensão. Em 2024, o SINPETE se consolidou como um
espaço de troca de saberes e fortalecimento da identidade acadêmica, reunindo
apresentações de trabalhos, oficinas e mesas-redondas que abordaram
temáticas contemporâneas da educação e das políticas públicas. A participação
dos discentes exigiu interpretação de informações complexas, capacidade de
síntese e domínio da oralidade para apresentações em auditório — habilidades
fundamentais para o exercício profissional e para a gestão de projetos. Mais do
que um requisito curricular, o SINPETE 2024 representou uma oportunidade de
crescimento intelectual e de fortalecimento da autoconfiança dos estudantes
diante de um público acadêmico mais amplo.
Além disso, a extensão acadêmica permitiu vivências no campo da
economia solidária, na Incubadora Tecnológica de Economia Solidária (ITES), e

54

em atividades relacionadas ao Pagamento por Serviços Ambientais no Brasil,
conforme relatado por Andreina Suellen Santos Lima e Deysa Maria de Araujo
Silva. Tais experiências possibilitaram a aplicação prática de conceitos teóricos
adquiridos nas disciplinas de gestão pública, planejamento e governança,
evidenciando a importância da articulação entre teoria e prática.
“Foi quando percebemos que a universidade não cabe dentro das
paredes da sala de aula”, comentou uma estudante ao relatar sua participação
em um projeto de extensão. Para muitos, essa foi a confirmação de que a
carreira em gestão pública exige, sobretudo, proximidade com a realidade
social e compromisso com a transformação coletiva.

Desenvolvimento Profissional e Pessoal
A sobrecarga, somada às interrupções constantes, levou alguns
alunos a repensarem sua permanência. Embora a evasão não tenha sido tão
intensa quanto nos primeiros períodos do curso, houve relatos de colegas que
optaram por trilhar novos caminhos. Ainda assim, houve a permanência,
fortalecida pela rede de apoio entre os estudantes. O companheirismo, as
caronas compartilhadas, os grupos de estudo improvisados e até pequenos
gestos de solidariedade tornaram-se símbolos de perseverança em meio às
dificuldades.
Além do contexto profissional, desafios pessoais também impactaram
o rendimento acadêmico. Carlos Eduardo da Costa Carmo relatou a situação
delicada de seu pai, que enfrentou problemas graves de saúde, gerando
repercussões emocionais e acadêmicas. Apesar dessas adversidades, o
estudante manteve o comprometimento com a formação, demonstrando
resiliência e persistência, características ressaltadas também por outros
discentes como Fabiana dos Santos Ferreira da Silva e Felipe Alexandrino.

Disciplinas e Formação Acadêmica
As disciplinas cursadas entre o sexto e o sétimo período foram
fundamentais para a consolidação dos conhecimentos teóricos e práticos
adquiridos ao longo da graduação, representando uma etapa de
amadurecimento intelectual e profissional. As Atividades Curriculares de
Extensão I e II, juntamente com os Projetos de Pesquisa, proporcionaram
experiências de aplicação direta dos conteúdos, fortalecendo as competências
em análise crítica, gestão de projetos e tomada de decisão. Já as disciplinas de

55

Planejamento e Programação na Gestão Pública e Processo Decisório em
Organizações Públicas ampliaram a compreensão sobre o funcionamento das
instituições e os desafios inerentes à administração pública contemporânea. Por
sua vez, os componentes Debates Contemporâneos em Política e Democracia,
Direito Municipal e Governança na Administração Pública estimularam a
reflexão sobre o papel do Estado, os direitos coletivos e a responsabilidade ética
dos gestores públicos. Por fim, disciplinas de natureza quantitativa, como
Matemática Financeira, Finanças Públicas e Análise de Investimentos,
reforçaram a capacidade de lidar com dados, interpretar indicadores e aplicar
conceitos financeiros em contextos reais de gestão. Em conjunto, essas
formações teórico-práticas contribuíram para o desenvolvimento de uma visão
mais integrada, crítica e estratégica sobre o campo da administração pública.
Esses componentes curriculares não apenas aprofundaram a
compreensão sobre o papel do planejamento estratégico nas políticas públicas,
como também incentivaram a reflexão sobre a necessidade de metodologias
sólidas para a construção de pesquisas acadêmicas. Os relatos dos alunos
indicam que as disciplinas foram momentos decisivos na consolidação da
identidade da turma.
O ano também foi importante para o fortalecimento da coletividade
e do senso crítico. O convívio em sala, os debates sobre políticas públicas e a
participação em projetos de pesquisa estimularam reflexões sobre o papel do
administrador público em um país marcado por desigualdades e crises. Muitos
alunos relataram que começaram a olhar para o curso não apenas como uma
graduação, mas como uma missão profissional voltada para a transformação
social.
Vários estudantes ressaltaram a oportunidade de cursar disciplinas
eletivas antecipadas, como Governança na Administração Pública, e eletivas
inovadoras, como Relações Étnico-Raciais e de Gênero e Direito Municipal,
proporcionando flexibilidade e aprofundamento temático, além de estimular
debates sobre diversidade, racismo estrutural e políticas inclusivas.

Conquistas e Aprendizados
O ano de 2024 possibilitou conquistas acadêmicas, profissionais e
pessoais significativas. Os estudantes desenvolveram: Capacidade de articular
teoria e prática em atividades de extensão e projetos aplicados; Habilidade de
análise crítica de políticas públicas e de indicadores educacionais;
Competências em gestão de tempo, organização e priorização de tarefas;

56

Experiência em pesquisa, apresentação de trabalhos e elaboração do TCC;
Engajamento em atividades coletivas, políticas e sociais, fortalecendo a
compreensão do papel do gestor público.
Apesar das dificuldades enfrentadas, o balanço do ano é
extremamente positivo, consolidando a trajetória acadêmica e preparando os
estudantes para os desafios futuros da carreira em administração pública.

Conclusão
Ao final de 2024, o balanço não pode ser feito apenas em termos de
conteúdos vistos ou de créditos concluídos. O ano foi, sobretudo, um laboratório
de resiliência, paciência e coletividade. Entre disciplinas enriquecedoras,
experiências de extensão transformadoras e os meses de paralisação, os
estudantes compreenderam que a universidade é um espaço vivo, em constante
disputa e reinvenção.
Se o calendário atrasado, a sobrecarga e a incerteza testaram os
limites da turma, também a prepararam para os desafios da gestão pública em
um Brasil que, assim como os alunos, precisa resistir, adaptar-se e reinventarse diariamente.
Foi um ano intenso, desafiador e transformador para os estudantes
do curso de Administração Pública da UFAL. Entre greves, reformas no campus,
disciplinas avançadas, atividades de extensão, experiências profissionais e
desafios pessoais, os discentes puderam desenvolver habilidades técnicas e
socioemocionais essenciais para a atuação na gestão pública. As vivências do
ano consolidaram aprendizados, fortaleceram a resiliência e prepararam os
estudantes para a conclusão do curso e a aplicação prática do conhecimento
adquirido, evidenciando a importância da experiência acadêmica como espaço
de formação integral e cidadã.
Em suma, 2024 ficará marcado não apenas como “o ano da greve”,
mas como o período em que os alunos aprenderam que a formação universitária
vai muito além do domínio técnico: é um exercício permanente de resistência,
solidariedade e esperança.

57

2025
Entre Crises e Conquistas:
Um Retrato do Mundo e do
Brasil em 2025
Andreina Suellen Santos Lima
Giovanna Carvalho Lira Matos
Ludmyla Vitória Brito de Souza Lima
Marcus Vinícius da Silva

58

CONTEXTO INTERNACIONAL
O ano de 2025 marca um período de intensas transformações e
reconfigurações nas relações de poder globais. A reeleição de Donald Trump
nos Estados Unidos simboliza o retorno de uma agenda nacionalista e
protecionista, que reacende tensões políticas e econômicas entre as grandes
potências. Logo nos primeiros meses de governo, Trump impôs novas tarifas
sobre exportações, inclusive do Brasil, sob a justificativa de corrigir
desequilíbrios comerciais e garantir “reciprocidade”. Essas medidas,
conhecidas como “tarifaço”, acabaram impactando a própria economia norteamericana, elevando custos para empresas e consumidores e provocando
insatisfação interna. Segundo dados do Goldman Sachs, a absorção dos custos
decorrentes dessas tarifas saltou de 22% em junho para 67% em outubro. A
divulgação desses números, em contradição com o discurso oficial, culminou na
demissão do economista-chefe do banco(IEA, 2025; CNN Brasil, 2025a).
A adoção dessas políticas comerciais agressivas se soma a um cenário
internacional já marcado por instabilidade geopolítica, onde as ações dos
Estados Unidos influenciam diretamente outros conflitos. A continuidade da
guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, segue pressionando o
abastecimento global de energia e alimentos, agravando a inflação mundial e
afetando especialmente os países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o
recrudescimento da violência entre Israel e Palestina e as tensões diplomáticas
entre China e Estados Unidos reforçam a divisão do sistema internacional em
blocos de poder, num ambiente cada vez mais polarizado. Assim, a postura
norte-americana sob Trump contribui para intensificar rivalidades estratégicas,
especialmente com a China, e para enfraquecer espaços de cooperação
multilateral.
Na América Latina, os reflexos desse cenário também se fazem
sentir. A posse de Nicolás Maduro para um terceiro mandato na Venezuela
reforçou a permanência de regimes autoritários na região, acentuando o
distanciamento político em relação aos governos progressistas vizinhos. A
reação da comunidade internacional, que contestou o resultado das eleições
venezuelanas, revelou o quanto o continente ainda enfrenta desafios para
consolidar instituições democráticas e equilibrar suas relações externas.
Por outro lado, 2025 também foi um ano de mudanças significativas
no campo religioso e simbólico global, com o falecimento do Papa Francisco aos
88 anos, após 12 anos de pontificado. Sua morte encerra uma era marcada por
diálogo inter-religioso, defesa dos pobres e engajamento ambiental. Sua morte
deu início ao processo de escolha do novo líder da Igreja Católica, culminando
59

na eleição do cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, que adotou o
nome de Papa Leão XIV, simbolizando uma nova etapa para o Vaticano. Sua
escolha, vinda de um país de maioria protestante, gerou debates sobre a
influência política dos Estados Unidos até mesmo na esfera espiritual, embora
o novo Papa mantenha a linha pastoral de Francisco (G1, 2025).
Dessa forma, o cenário internacional de 2025 é caracterizado por
tensões políticas, disputas comerciais e redefinições de poder, em que decisões
norte-americanas repercutem de forma direta nas dinâmicas econômicas e
diplomáticas do mundo — inclusive no Brasil.

CONTEXTO BRASILEIRO
Política e Governo
No Brasil, 2025 se desenha como um ano de reconstrução política e
reafirmação democrática, em meio a um cenário internacional conturbado. No
plano federal, o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca
consolidar uma agenda voltada à inclusão social, à reconstrução democrática,
à sustentabilidade ambiental e à reinserção ativa do país nos fóruns
multilaterais. À frente da presidência do BRICS, o Brasil se coloca como voz do
Sul Global, defendendo cinco prioridades estratégicas: combate à fome e à
pobreza, transição energética, reforma da governança global, cooperação
científica e tecnológica e fortalecimento da integração entre países emergentes
(Planalto, 2025; Agência Brasil, 2025).
Essas iniciativas dialogam com o contexto externo, marcado pelo
protecionismo dos Estados Unidos e pelas tensões entre as grandes potências.
Nesse sentido, o governo brasileiro tem buscado uma postura diplomática
equilibrada, defendendo o multilateralismo e promovendo parcerias comerciais
que reduzam a dependência dos mercados tradicionais.
Internamente, o ano também foi marcado pela posse de novos
prefeitos e vereadores, eleitos em 2024, que inauguram ciclos administrativos
em milhares de cidades. No Congresso Nacional, a eleição de David Alcolumbre
(União Brasil/AP) para a presidência do Senado e de Hugo Mota
(Republicanos/PB) assumiu a presidência da Câmara dos Deputados, compondo
uma nova configuração de poder legislativo. Em um gesto simbólico de
valorização da memória democrática, o Congresso prestou homenagem ao expresidente José Sarney pelos 40 anos do retorno do Estado Democrático de
Direito, reconhecendo sua relevância na transição política brasileira.
60

No entanto, o país também enfrentou fortes tensões políticas e
judiciais. O ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados foram denunciados por
envolvimento em tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022,
resultando em sua prisão domiciliar e posterior condenação a 27 anos de prisão
(G1, 2025; Estadão, 2025). Em meio a esses desdobramentos, o Congresso
discutiu a polêmica PEC da Blindagem, que restringia a atuação da Justiça sobre
parlamentares. A forte reação popular e a rejeição unânime no Senado
mostraram a vitalidade da mobilização social e a resistência institucional a
retrocessos democráticos (BBC News Brasil, 2025).
O combate à corrupção e má gestão pública também se manteve em
evidência, com a operação conjunta da Polícia Federal e da CGU revelando
fraudes no INSS e levando à demissão de seu presidente, Alessandro Stefanutto
(Folha de S. Paulo, 2025). Paralelamente, a prisão do ex-presidente Fernando
Collor, em Alagoas, por determinação do STF para cumprimento de sua
condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e a condenação da
deputada Carla Zambelli a dez anos de reclusão por ordenar a invasão do
sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça em 2023. Menos de trinta
dias após sua condenação, Zambelli deixou o Brasil e, quase dois meses depois,
foi presa na Itália (CNN Brasil, 2025b; G1, 2025).
No campo dos direitos humanos e ambientais, o relatório da Human
Rights Watch alertou que o Brasil segue entre os dez maiores emissores de gases
de efeito estufa, com impactos agravados por secas e incêndios que afetam
diretamente comunidades vulneráveis. Já a Freedom House classificou o país
como democracia eleitoral, mas alertou para riscos crescentes de assédio a
jornalistas e ativistas. Além disso, estudos apontaram o crescimento da
incivilidade política online e do discurso extremista, que refletem as disputas
de narrativa herdadas do período anterior e desafiam a estabilidade
institucional (Human Rights Watch, 2025; Freedom House, 2025).
Assim, o Brasil de 2025 aparece como um país em processo de
reconstrução democrática e reposicionamento internacional, buscando
equilíbrio entre a agenda interna de justiça social e a necessidade de enfrentar
um mundo cada vez mais fragmentado e polarizado.

Educação, Cultura, Cinema e Televisão
Em 2025, o cenário educacional e cultural brasileiro evidenciou tanto
avanços quanto desafios sociais e institucionais. No âmbito da educação, o
governo federal estabeleceu diretrizes para a aplicação da Lei nº 15.100/2025,
61

sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determina a proibição
do uso de celulares nas escolas. O decreto determina que as instituições de
ensino definam como os estudantes deverão guardar os dispositivos, prevejam
exceções, promovam a formação dos professores e a orientação dos alunos
sobre o uso consciente da tecnologia. Também prevê ações de conscientização
sobre os riscos do uso excessivo de aparelhos eletrônicos e a criação de espaços
de escuta e acolhimento para casos de sofrimento psíquico relacionados ao
tema (CNN Brasil, 2025).
Essas preocupações com impactos sociais e emocionais da tecnologia
também se refletem na produção cultural, que ao longo de 2025 foi marcada
pela entrada de diversas obras em domínio público, como as do dramaturgo,
escritor e jornalista Oswald de Andrade, um dos principais nomes do
modernismo brasileiro. Também passaram a integrar o domínio público os
trabalhos de Getúlio Vargas, Cláudio de Souza, Roquette-Pinto e Celso Vieira,
ampliando o acesso às produções literárias e históricas do país (Rádio Agência,
2025).
Essa valorização da cultura brasileira se entrelaça com a projeção
internacional do cinema nacional, que, em 2025, alcançou conquistas inéditas.
A atriz Fernanda Torres fez história ao ganhar o Globo de Ouro de Melhor Atriz
em Filme de Drama por sua atuação em Ainda Estou Aqui, sendo uma vitória
inédita para o país na categoria. A atriz narra a trajetória real de Eunice Paiva,
advogada que buscou, por décadas, respostas sobre o desaparecimento de seu
marido durante a ditadura militar. O filme, dirigido por Walter Salles, venceu
também o Oscar de Melhor Filme Internacional, tornando-se o primeiro filme
brasileiro a conquistar essa categoria (DW, 2025).
Na mesma linha, o cinema nacional seguiu em ascensão com o filme
Agente Secreto, vencedor dos prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator no
Festival de Cannes, na França — um marco histórico, já que foi a primeira vez
que um ator brasileiro recebeu tal reconhecimento. O diretor Kleber Mendonça
Filho também foi premiado com o troféu de melhor direção (G1, 2025).
Enquanto o cinema brasileiro conquista o mundo, o Carnaval reafirma
a potência da cultura popular do país e manifesta-se de diferentes formas, seja
com frevo, maracatu, trios elétricos e com samba e, no último quesito, os
desfiles das escolas tem grande destaque nacional, por esse motivo vale
destacar as campeãs de 2025, no Rio de Janeiro, a Beija-Flor de Nilópolis
sagrou-se vencedora com tema sobre Xangô - símbolo de justiça e resistência em uma homenagem marcada pela despedida do intérprete Neguinho da BeijaFlor, já, em São Paulo, a Rosas de Ouro celebrou a vitória com o tema sobre
62

jogos de apostas e quebrou um jejum de quinze anos sem o título (Agência
Brasil, 2025). Essas temáticas refletem a diversidade cultural brasileira e a
capacidade de o Carnaval traduzir, de forma simbólica, as transformações
sociais e políticas no país.
Na região Norte, o tradicional Festival de Parintins também reforçou
a força das tradições regionais e o protagonismo amazônico na cultura
nacional. Anualmente, na cidade de Parintins o Boi Garantido ( vermelho) e o
Boi Caprichoso ( azul) competem ao longo de três noites no Bumbódromo. O
título deste ano ficou com o Boi Garantido, que não vencia desde 2019, com o
tema “Boi do Povo, Boi do Povão” (CNN Brasil, 2025).
Por fim, o ano foi igualmente marcante para a televisão brasileira. A
TV Globo celebrou 60 anos de fundação e o centenário do grupo Globo,
reafirmando sua relevância histórica na formação cultural e informativa no
país. A emissora produziu mais de 60 horas de programação especial,
revisitando momentos que marcaram a história da TV Tupi, em 1950. O marco
simboliza não apenas a trajetória da mídia brasileira, mas também a forma
como a cultura e a informação evoluíram em diálogo com os avanços
tecnológicos e as transformações sociais do país (G1, 2025).
Assim, 2025 consolidou-se como um ano em que educação, cultura e
mídia se entrelaçam, revelando um Brasil que, ao mesmo tempo em que olha
para o futuro digital, busca reconectar-se às suas origens artísticas, históricas
e identitárias.

Esportes e Eventos
O ano de 2025 mostrou que a cultura, o esporte e grandes eventos
continuam sendo importantes espaços de expressão social e econômica, mas
também revelam desigualdades e tensões estruturais. No Rio de Janeiro sediou
a segunda edição do megaevento “Todo Mundo no Rio”, que reuniu mais de 2,1
milhões de pessoas. O show da cantora Lady Gaga entrou para a história como
o maior público já registrado para uma artista feminina no Brasil, consolidando
o evento como símbolo da retomada cultural e econômica pós-pandemia
(Prefeitura do Rio de Janeiro, 2025).
Em São Paulo, o Autódromo de Interlagos recebeu a segunda edição
do festival “The Town”, entre os dias 6 e 14 de setembro. Criado pelos mesmos
organizadores do Rock in Rio, o evento apresentou mais de 100 shows e reuniu
cerca de 500 artistas nacionais e internacionais, como Mariah Carey, Green Day,
63

Katy Perry, Ivete Sangalo e J Balvin. O festival consolidou-se como uma das
principais referências da cena cultural brasileira, impulsionando o turismo e a
economia local (GSHOW, 2025).
Além desses grandes eventos, festivais e atividades em todo
território nacional retomaram a programação presencial, destacando a
diversidade cultural brasileira e fortalecendo a economia criativa. A
continuidade de grandes celebrações populares, como como o Carnaval e o
festival de Parintins também retornaram com força total em todo o país,
refletindo a diversidade artística e a riqueza da cultura nacional. A retomada
das atividades presenciais fortaleceu o setor de economia criativa, gerando
oportunidades e ampliando o alcance da produção cultural brasileira.

Investigações e Condenações - Mídias Sociais
O ano de 2025 também foi marcado por casos polêmicos envolvendo
figuras públicas e influenciadores digitais. O influenciador Hytalo Santos foi
preso em Carapicuíba (SP), acusado de tráfico humano e exploração sexual
infantil em conteúdos produzidos para redes sociais. A denúncia surgiu após a
exposição feita pelo youtuber Felca, que alertou sobre a erotização precoce de
crianças e a manipulação de algoritmos nas plataformas. As investigações,
conduzidas pelo Ministério Público da Paraíba, revelaram festas com menores,
drogas e álcool. O caso resultou na criação da “Lei Felca”, voltada à proteção
infantil no ambiente digital (Agência Brasil, 2025; G1, 2025; CNN Brasil, 2025;
Gazeta do Povo, 2025; UNIFOR, 2025).
No cenário da música, em julho de 2025, o rapper Oruam (Mauro
Nepomuceno) foi preso preventivamente na Zona Sul do Rio de Janeiro, acusado
de associação ao tráfico de drogas e resistência à prisão. Filho do líder do
Comando Vermelho, Marcinho VP, Oruam foi detido por abrigar um menor ligado
à facção e por supostamente agredir policiais durante uma operação. Dois
meses depois, o STJ concedeu liminar revogando a prisão preventiva, por falta
de provas, embora o artista permaneça sob investigação (O Tempo, 2025;
Gazeta do Povo, 2025; CNN Brasil, 2025).
O funkeiro MC Poze do Rodo, já conhecido por polêmicas anteriores
por suposta ligação com facções criminosas e apologia ao crime, voltou a se
manifestar em 2025, defendendo Oruam e denunciando uma suposta
perseguição policial contra artistas do funk. Ele afirmou que as autoridades
realizam operações injustificadas e sem provas concretas, reforçando um
discurso de resistência cultural das comunidades periféricas frente ao estigma
64

e à repressão estatal (G1, 2025; Agência Brasil, 2025).
Esses episódios revelam que, em 2025, o Brasil convive
simultaneamente com avanços na educação, cultura e mídia, e com desafios
relacionados à segurança, proteção infantil e justiça social. Eles reforçam a
necessidade de políticas que integrem direitos digitais, proteção social e
valorização cultural, apresentando uma visão mais realista e complexa da
sociedade brasileira.

65

2025
O Fim de um ciclo
Acsa Mickaelly de Souza Santos
Cláudia Cristina Alves da Fonseca
Rawmyller Ferreira da Silva
Vitor da Silva Oliveira

66

Junto com o início do ano de 2025 veio também o início do oitavo
período da nossa graduação, um penúltimo passo antes do fim. Logo ao chegar
tivemos a surpresa de uma reforma envolvendo os blocos A e B onde,
anteriormente, ficavam nossas salas, as providências tomadas pelos
responsáveis foram alocar as turmas no bloco C, exceto a nossa que ficou no
bloco das coordenações. A experiência foi positiva na visão de algun e negativa
na visão de outros da nossa sala, enquanto para alguns alunos a localização da
sala era ótima pela proximidade da saída e do estacionamento, para outros a
distância do restaurante universitário e das outras turmas foi um problema,
ficamos isolados e por vezes parecia que apenas nossa turma estava presente
no campus. Aproximando o fim do período, a reforma foi finalizada e pudemos
finalmente voltar a uma sala próxima às outras que agora apresentava uma
estrutura melhor e que, posteriormente, ainda seria modificada, o que tornaria
as salas mais bem estruturadas para comportar turmas universitárias.
O oitavo período foi composto por cinco disciplinas: ACE II,
Elaboração e Gestão de Projetos, Gestão de informações na Gestão Pública,
Licitações e Contratos e Gestão Ambiental e Sustentabilidade. As impressões
sobre algumas das disciplinas foram tão divergentes quanto as da reforma dos
blocos.
Iniciando pela ACE II, enquanto alguns alunos gostaram da
metodologia apresentada onde teríamos que redigir um artigo (de preferência
já utilizando o tema do TCC), outros alunos acharam que foi cansativo. Com
escritas e resultados tendo que serem entregues semanais, com o trabalho de
escrita de acordo com as regras ABNT e com todos os critérios de um artigo a
ser escrito e publicado. Por conta de uma demanda maior, houve sugestões de
que essa metodologia fosse alocada em uma disciplina eletiva para que aqueles
que se identificassem, pudessem desenvolver sua escrita acadêmica pois não
condizia com a proposta de uma ACE. Apesar disso, os frutos colhidos dessa
disciplina foram proveitosos, boa parte da turma pode utilizar esses artigos
como base para o TCC e com o incentivo do professor puderam publicar seus
artigos no ENCULTI 2025.
Falando sobre as disciplinas de Elaboração e Gestão de Projetos e
Gestão de Informações na Gestão Pública, ambas ministradas pelo novo
professor Samayk, as opiniões seguiram um único rumo: todos amamos as
disciplinas e a metodologia adotada pelo docente que trazia aulas práticas e
exemplos que prendiam a atenção e tornavam a compreensão do assunto mais
fácil. A partir dessas disciplinas pudemos desenvolver o nosso senso crítico e
nossa capacidade de identificar problemas e encontrar formas de solucioná-los.

67

Um enfoque maior na disciplina de elaboração de projetos, onde
cada grupo de alunos projetaram uma ideia que tivesse possibilidade a ser
implementada para uma melhoria no seu dia a dia. Podemos tirar dessa matéria
ideias inovadoras que os próprios alunos pessaram, assim como, Ilumina UFAL,
um projeto de iliminação para a universidade; Projeto cidadão, ideia solo da
aluna Ludmyla, onde os cidadãos poderiam realizar queixas das situações de
diversas localizações da cidade que causavam transtorno por meio de um quest;
RU digital, uma melhoria para os alunos que utilizavam o restaurante
universitário; Projeto sobre reutilização e reciclagem do aluno Marcos Vinicius;
Projeto Paz noz estadioz, criado pelo quarteto de meninos da turma, Davi,
Cícero, Pedro e Cadu, que busca, literalmente, paz nos estádios (insta
@paznozestadioz); E por fim, um projeto que hoje é nossa ACE do nono período,
Conexpu, projeto que busca viabilizar o nosso curso, mostrando e criando
conexão com contextestos externos, fora da universidade e buscando assim
estágios para os alunos no campo de públicas, criado pelas alunas Andreina e
Giovanna.
A disciplina de Licitações e contratos também mostrou uma boa
aprovação por parte dos alunos. O novo professor conseguiu ministrar as aulas
de forma que prendesse a atenção dos alunos e trouxe questões de concursos
ao fim de cada aula, o que ajudava a fixar melhor o conteúdo. Além disso, um
ponto importante e memorável da disciplina foi um debate promovido pelo
docente onde parte da turma deveria ser a favor da privatização de órgãos
públicos e a outra parte deveria ser contra. Isso auxiliou a turma a desenvolver
ainda mais o senso crítico e se preparar para casos futuros onde, enquanto
administradores públicos, precisaremos defender iniciativas com as quais talvez
não entremos em concordância e vice-versa.
Quanto à disciplina de Gestão ambiental e Sustentabilidade, foi
notável um grande descontentamento da turma com algumas questões. Boa
parte da turma achou que a quantidade de trabalhos escritos e seminários foi
exagerada e acabava por deixar uma tensão e sobrecarga, uma parte também
defende que o assunto poderia ter sido mais bem explorado e que ficou uma
sensação de que a disciplina deixou um pouco a desejar.
Paralelo a tudo isso, alguns dos alunos enfrentaram dificuldades em
outros aspectos, como por exemplo, o estágio supervisionado. Cerca de 3 alunos
foram prejudicados por causa da falta de comprometimento do então
coordenador de estágios que, apesar de os alunos terem entregue toda a
documentação necessária, não lançou a nota no sistema, o que acarretou a
reprovação dos três e uma baixa significativa no coeficiente de rendimento
acumulado (CRA). O problema segue sem resolução.
68

Já no nono período, o último passo antes da tão sonhada graduação,
a quantidade de matérias reduziu significativamente, porém o mesmo não
aconteceu com a quantidade de trabalhos. Estamos com as disciplinas de ACE
III Evento, ACE IV Produto, Governança na Administração Pública e Avaliação
de Políticas e Serviços Públicos. Iniciando com a ACE III Evento, infelizmente a
experiência inicial não foi das melhores. O trabalho nessa ACE seria fazer um
evento utilizando um projeto idealizado pelas alunas Andreina Suellen e
Giovanna Carvalho no oitavo período na disciplina de Elaboração e Gestão de
Projetos, o CONEXPU (Conexão Pública) onde o objetivo seria dar uma maior
visibilidade ao curso de Administração Pública o que, consequentemente,
resolveria alguns problemas como a dificuldade de nossos discentes
encontrarem estágio voltados a nossa área. Porém, a realidade se mostrou um
pouco decepcionante, principalmente para as idealizadoras do evento, devido
à falta de participação do docente responsável. Agora, faltando menos de um
mês para a realização do evento, houve uma troca de docentes e a expectativa
é que haja o andamento no projeto e que tudo corra como deve.
A disciplina de Governança na Administração Pública, que não
poderia estar alocada em um período melhor visto que traz uma consolidação
de todo o assunto que aprendemos até aqui. Paralelamente à disciplina, a
professora trouxe ainda a oportunidade de muitos da turma fazerem parte do
Projeto Jovem Conselheiro em parceria com o Tribunal de Contas do Estado,
que muitos descrevem como uma experiência enriquecedora e agradecem a
oportunidade de poderem fazer parte de algo que realmente mostra na prática
como funciona a Administração Pública na área de Contabilidade Pública, é algo
que soma a todo o conteúdo ministrado. Com o projeto pudemos vivenciar a
experiencia de montarmos duas peças durante um mês para a sessão simulada,
os alunos da UFAL junto com alguns estagiários do próprio tribunal de contas
foram os jovens conselheiros do momento, sendo monitorados e acompanhados
pelos conselheiros do próprio tribunal. Cada grupo com o seu voto, contra ou a
favor da peça apresentada no projeto, foi um momento de muito aprendizado
e discussão.
Por último, na ACE IV Produto, nos foi proposto o desafio de escrever
um livro sobre a jornada da turma desde o ano de 2021 até aqui. Apesar de ser
uma proposta que trouxe um pouco de tensão para alguns devido à dificuldade
de lembrar com clareza tudo o que se passou nesses quatro anos, podemos ver
que há uma satisfação por parte da turma em estar relembrando todo esse
trajeto, para alguns há uma sensação de nostalgia e gratidão, para outros a
sensação é de orgulho ao olhar para trás e ver todos os desafios superados. A
expectativa é que o livro fique como uma memória coletiva e um aprendizado
para os futuros discentes e é a partir daqui que se relata o início do fim.
69

2025 - O FIM DE UM CICLO
O ano era 2021 e um grupo de 40 pessoas de diferentes idades
ingressaram na Universidade Federal de Alagoas para a realização de mais uma
etapa em suas vidas: A Graduação. Em meio a um ano conturbado no contexto
mundial, onde nos encontrávamos em uma pandemia, o sonho de estar inserido
no ambiente acadêmico falou mais alto e todos estávamos caminhando rumo ao
tão esperado “paraíso acadêmico” ou pelo menos era o que se esperava.
O primeiro período, iniciado no segundo semestre de 2021 devido à
pandemia do COVID-19, deu-se de forma online. Então estávamos ali, todos nós
sentados em frente a uma tela, vendo nomes flutuantes sem rostos ou vozes
definidos, sem a integração e a socialização que se esperava para uma turma,
só o que víamos eram os professores e seus slides, suas vozes eram as que
ouvíamos durante horas ininterruptas e a sensação de ser “universitário” estava
longe de ser sentida. Para alguns, como nossos colegas Rawmyller e Giovanna,
o cenário acabava por ser levemente favorável às suas realidades, Giovanna
com sua incerteza de como chegaria a universidade e se permaneceria após o
primeiro período quando as aulas retornariam ao modo presencial e Rawmyller,
que assistia suas aulas pela tela do celular enquanto estava inserido em um
ambiente cheio de “desce mais presunto” ou “a mesa 3 fez o pedido”. Para a
maioria, a luta contra o tédio, o sono e a dificuldade em manter o foco na aula
era grande.
Pudemos ver que, infelizmente, nem todos conseguiram se manter
nesse ritmo. Uma boa parte da nossa turma desistiu do curso ainda no primeiro
período e foi sendo assim até meados do 4º ou 5º período. Hoje, no 9º período
do curso, somos um grupo de 23 graduandos, ou melhor, 23 VENCEDORES. Cada
um com suas próprias conquistas, cada um com seus desafios e obstáculos
vencidos, cada um com sua própria personalidade, seus próprios sonhos e
metas, todos com o único objetivo de finalizar uma graduação iniciada de forma
atípica. De fato, um grupo de vencedores. Deixamos aqui nossos mais sinceros
parabéns a todos, àqueles que, apesar das inúmeras dificuldades, se
mantiveram firmes em seus objetivos e aproveitaram tudo o que a universidade
pôde oferecer. Sinto-me na obrigação de nomear e parabenizar cada um de nós
que chegou aqui.
Andreina Suellen, sua determinação e seu esforço são de uma força
absurda. Durante essa caminhada acadêmica temos a certeza de que todos nós
pudemos acompanhar seu crescimento como pessoa e como acadêmica e
devemos aplaudir de pé todas as suas conquistas pois temos a certeza de que o
70

futuro da Administração Pública terá muito a ganhar com a sua capacidade
intelectual e também com sua pessoa. Todos os obstáculos e desafios em seu
caminho te ajudaram com seu amadurecimento e te tornaram a pessoa que
você é hoje, a pessoa que tem a coragem de subir em um palanque no auditório
e dar tudo de si para fazer um evento correr da forma esperada. A prova de sua
capacidade é o seu artigo aceito e publicado na Revista Novos Cadernos da
Universidade Federal do Pará. Deixamos aqui, em nome de toda a turma, nossos
mais sinceros Parabéns.
Acsa Mickaelly, você chegou à universidade cheia de sonhos, mas foi
a realidade que te fez crescer de verdade. Os obstáculos e desafios do caminho
te fortaleceram, transformando você em uma pessoa mais resiliente e
persistente. Temos a certeza de que você conquistará suas metas e se tornará
uma profissional brilhante e seguirá sendo a pessoa que se tornou ao fim desse
curso.
Carlos Eduardo, alguém que amadureceu de forma notável ao longo
do curso e que, como coordenador de comunicação do nosso Centro Acadêmico,
já revela liderança, empenho e talento. Mesmo sem se identificar plenamente
com o curso, deixa evidente que sua dedicação e capacidade de se entregar a
cada responsabilidade o levarão longe. Temos plena certeza de que encontrará
o seu lugar, se destacará e alcançará grandes conquistas.
Cícero Victor, com seu humor leve e suas brincadeiras, você
proporcionou muitos momentos de alegria à nossa turma, fazendo-nos rir em
meio aos desafios da graduação. Estamos certos de que sua trajetória futura
será repleta de conquistas, somando-se como mais um talento da nossa sala que
contribuirá para o futuro da Administração Pública. Não se deixe abalar pelas
pedras no caminho: transforme cada desafio em uma oportunidade de
amadurecimento e fortalecimento para alcançar tudo o que deseja.
Cláudia Cristina, você combina uma postura reservada com a notável
vocação de professora. Já demonstra ser uma educadora brilhante e temos a
certeza de que, em um futuro próximo, também se destacará como uma
excelente administradora pública. Parabenizamos também pela conquista de
ter seu artigo aceito no ENCCULT 2025 e no VI ENEPCP. Esses resultados
evidenciam o quanto sua capacidade intelectual é valiosa para você e para
todos que terão o privilégio de aprender e crescer ao seu lado.
Deysa Maria, de longe uma das alunas que mais aproveitou o que a
universidade teve a oferecer. Parabéns por suas conquistas e pelo lugar que
você conquistou tanto na universidade quanto fora dela, você mostrou sua força
e determinação e provou seu valor. Saiba que, enquanto mulher trans e preta,
71

você será tida como exemplo e inspiração para tantos outros que tenham dúvida
quanto a jornada acadêmica. Esperamos que o seu artigo “Do Corpo à Política:
Etnografia de uma Trajetória de Participação em Conferências de Políticas
Públicas LGBTQIA+” tenha a visibilidade merecida.
Dhavi Lucas, como você mesmo citou em seu primeiro texto, não
apenas o primeiro período, mas também todos os subsequentes te fizeram
entender o valor da persistência. Hoje, é evidente como essa lição se tornou
parte de quem você é. Seu conhecimento, sua dedicação e sua determinação
são forças que te levarão muito além. Que cada conquista seja apenas o começo
de um futuro grandioso. Não desista jamais: persista, porque o sucesso já
caminha ao seu encontro.
Fabiana dos Santos, você chegou à universidade de forma tímida,
mas logo pudemos acompanhar sua transformação. Com o passar do tempo, foi
superando barreiras e mostrando toda a sua força. Apesar das dificuldades
enfrentadas que você citou no seu primeiro texto, deixou claro que persistência
é uma das suas maiores qualidades. Hoje, no nono período, está prestes a
conquistar a tão sonhada graduação, o resultado de sua dedicação, coragem e
determinação.
Felipe Alexandrino, apesar do pouco contato conseguimos perceber
que, enquanto pessoa, você mostra ser alguém que possui uma energia positiva.
Sua simpatia e forma de se conectar tornam fácil perceber o quanto ela é
verdadeira nas interações. Além disso, carrega uma persistência admirável: não
se deixa abalar facilmente pelas dificuldades e, ao contrário, transforma os
obstáculos em motivação para continuar avançando.
Giovanna Carvalho, você já se mostra uma grande adição ao âmbito
da administração pública com sua participação no LAPID e ainda mais, te
parabenizamos pelo seu artigo premiado pelo XV ENCCULT. É uma honra termos
em nossa turma alguém com uma capacidade intelectual maravilhosa como a
sua. Temos a certeza de que o futuro te reserva grandes conquistas. Sabemos
também que você terá a persistência e perseverança necessária para enfrentar
todos os obstáculos como vem fazendo durante esses quatro anos de graduação.
Giovanni Davi, como não lembrar de todas as vezes que você foi o
senhor dos coffee breaks não é mesmo? Brincadeiras à parte, já estamos
testemunhando o início da sua carreira como administrador público e
conseguimos ver também como você se dedica de corpo e alma á isso. Temos
certeza que você irá fazer parte da transformação do setor público para algo
melhor e muito mais justo. Te desejamos todo o sucesso que você merece e
que você alcance todos os objetivos que almeja.
72

Irã Cesar, infelizmente nós não te conhecemos muito, você chegou
na nossa turma de paraquedas mas o pouco tempo de convivência nos mostrou
como você carrega uma energia positiva e claro, pudemos ver sua força e sua
dedicação com a sua formação, imaginamos que não é fácil precisar voltar à
universidade quando o esperado era já estar graduado, mas com certeza esse
será um desafio que você conseguirá superar.
Juliene Maria, você possui um estilo incrível que reflete sua
personalidade. Você também exibe uma capacidade intelectual notável. É fácil
ver que essa combinação de presença marcante e inteligência profunda te
levará longe. Você não apenas tem sonhos, mas também a habilidade e a
determinação para transformar cada um deles em realidade. O seu sucesso será
o reflexo de sua persistência.
Karlla Evellyn, cada desafio encarado foi uma oportunidade para
provar a si mesma que era capaz. Você possui uma determinação inabalável,
traçou seu caminho, ignorando o pessimismo e as dificuldades. A maneira como
você enfrenta e supera cada obstáculo deixa claro que seus objetivos não são
apenas sonhos, mas realidades que você está construindo, dia após dia, com
sua própria resiliência. Te desejamos todo o sucesso do mundo.
Kaylane Ferreira, sua força tranquila e sua dedicação constroem o
seu caminho com foco e determinação. Diante de qualquer desafio, você não
apenas encontra soluções, mas o faz com eficiência e calma. Sua perseverança
te levará ao futuro que você deseja e as metas que você tanto almeja serão
alcançadas.
Ludmyla Vitória, apesar de ser a mais jovem da turma, você se
destacou como uma das pessoas mais notáveis que tivemos o prazer de conhecer
e conviver. Sua personalidade luminosa e a forma como você encara a vida com
um sorriso no rosto são admiráveis. vimos você superar cada obstáculo com uma
força e resiliência que inspiram, provando que a sua jornada é uma verdadeira
celebração. O que o futuro te reserva, você já carrega no nome: VITÓRIA.
Marcus Vinicius, você demonstra uma notável autoconsciência em
relação às suas limitações e à sua jornada acadêmica além de também possuir
bastante determinação e compromisso com seus objetivos. Você é uma pessoa
que não se define apenas por suas conquistas, mas pela sua capacidade de
enfrentar obstáculos com honestidade e de aprender com cada experiência,
sejam elas sucessos ou não. Estamos certos que com todas essas qualidades
você chegará longe.
Maria Edvânia, você é uma pessoa que não apenas se adapta, mas
73

cresce com as adversidades. Sua jornada é marcada por uma mistura de
conquistas acadêmicas e pessoais e sua personalidade resiliente e proativa
mostra como você encara os desafios como oportunidades de crescimento. Você
não apenas superou o medo e a insegurança de um novo começo, mas também
provou a si mesma que é capaz de conquistar seus sonhos. Parabéns por essa
conquista extraordinária! Que sua trajetória continue a ser um exemplo de que
a dedicação e o esforço valem a pena.
Maysa Silva, sua jornada é uma prova de proatividade e
autoconfiança. É impossível não se emocionar com sua determinação e
resiliência. Você superou a insegurança, o medo e, mesmo com as dúvidas de
um novo começo, foi em frente. Sua história é um exemplo de que a verdadeira
força reside na capacidade de se reinventar e seguir em frente. Não tenha
dúvidas de que o seu futuro te reserva grandes conquistas.
Pedro Lucas, você é uma pessoa que pensa sobre suas escolhas e
desafios. A sua história é um exemplo claro de amadurecimento e
determinação, sua consciência sobre os desafios extras que enfrenta como
jovem negro e sua postura em relação a isso são inspiradoras. A frase "a gente
só se arrepende daquilo que não faz" é um lembrete poderoso de que é melhor
tentar e errar do que nunca ter tentado. A sua atitude estoica de aceitar o que
foge ao seu controle e extrair valor de cada experiência é a chave para o
crescimento pessoal. Que você continue a valorizar cada parte do seu caminho:
o conhecimento adquirido, as discussões na faculdade, a disciplina nos estudos
e até as pequenas vitórias do dia a dia.
Rawmyller Ferreira, tenha certeza de que muitos de nós nunca nos
esqueceremos dos seus brigadeiros maravilhosos. Você não é apenas um
exemplo de conquistas acadêmicas e profissionais, mas um verdadeiro
testemunho de resiliência, dedicação e visão de futuro. O seu esforço de hoje,
comparado aos seus desafios passados, mostra o quanto você evoluiu em
organização, disciplina e resiliência. Nossa turma teve muito a ganhar e a
aprender ao conviver com você, o sucesso já está no seu caminho, e a sua
versatilidade profissional será, sem dúvida, um motivo de orgulho.
Rayanny Gabriella, sua postura gentil e sua coragem silenciosa a
tornam uma pessoa incrivelmente resiliente. Demonstrou que a caminhada na
universidade não se faz só com facilidades, mas também com lutas. Sabemos
que você será uma ótima profissional e que continuará sendo a pessoa
carismática e divertida que você mostrou ser durante esses anos.
Vitor Oliveira, é muito bom ter por perto pessoas com um espírito
tão leve e cativante como o seu! A sua capacidade de enfrentar os desafios da
74

vida sem perder o bom humor e a alegria é realmente admirável. Você é uma
inspiração e nos lembra que, mesmo nos momentos difíceis, a vida pode ser
vivida com mais leveza. Obrigado por sempre nos fazer sorrir e por ser uma
fonte de energia tão positiva. Seu sucesso não está apenas nas conquistas que
você alcança, mas na pessoa que você é ao longo da jornada.
Isso é o que temos a dizer sobre nós, que constituímos a turma de
2021. Chegamos ao fim de uma jornada incrível, e o que fica agora é uma
mistura de gratidão e nostalgia. Lembramos do começo, quando éramos apenas
um grupo de pessoas em busca de um sonho, e vemos o quanto crescemos e
evoluímos juntos. Compartilhamos ansiedade, trabalhos intensos, discussões
acaloradas e, o mais importante, muitas risadas. O final desta etapa não é um
adeus, mas um "até logo", a expectativa que fica é que voltemos a nos encontrar
no futuro.
Deixamos aqui também a nossa gratidão a todos os docentes que
fizeram parte da formação de todos nós. Aos Professores Anderson Henrique,
Antônio Miguel, Bruno Setton, Fabiana Araújo, Leonardo Leal, Lucas Maciel,
Marconi Tabosa, Paulo Mota, Rodolfo Carneiro, Rodolfo Tenório, Rodrigo
Pereyra, Samayk Ferro e a nossa nova professora, Thays Fidelis, queremos
agradecer a todos vocês por cada aula, cada debate e cada conselho que nos
moldou. A dedicação e o conhecimento que compartilharam conosco foram
essenciais para a nossa formação, indo muito além do conteúdo programático.
Que vocês continuem a inspirar e a transformar a vida de tantos outros alunos.
E saibam que a semente que plantaram em nós agora florescerá no mundo.

75